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INTRODUÇÃO
Iniciar uma graduação é de um lado uma grande conquista e, de outro, implica
no enfrentamento de desafios acadêmicos e interpessoais (BOLSONI-SILVA, 2019).
neste período há riscos de diferentes ordens relacionados ao sofrimento de
universitários, envolvendo questões demográficas, de saúde, psicológicas,
sociais/violências, e também relacionais, como dificuldade de interagir com amigos e
com outras pessoas, adaptação, além de questões acadêmicas como série do curso,
excesso de horas de trabalho, dificuldade em conciliar lazer e estudo, etc (GRANER;
CERQUEIRA, 2019). Os problemas interpessoais e de saúde mental presentes já no
ingresso no ensino superior podem se apresentar como preditores de abandono escolar
(BRANDÃO; BOLSONI-SILVA; LOUREIRO, 2017), havendo indícios de correlação
entre o repertório de habilidades sociais (HS) e o desempenho acadêmico (NAZAR, et
al. 2020).
Assim sendo, intervenções voltadas para o Treinamento de Habilidades Sociais
(THS) podem ampliar a proteção da saúde e melhorar a vivência deste período da vida,
já que um bom repertório de HS auxilia na busca e na manutenção de reforçadores
sociais, como amizades, rede de apoio, desenvolvimento das tarefas, interação com
autoridade, etc. Diante disso, este estudo visa apresentar o programa
Promove-Universitários, como recurso de atuação junto aos estudantes, considerando os
benefícios do desenvolvimento de HS e redução de indicadores que implicam na saúde
mental.
MÉTODO
Descrição do programa
O Promove-Universitários, desenvolvido pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em
Análise do Comportamento Aplicada e Habilidades Sociais (GEPEACAHS), do
Laboratório de Aprendizagem, Desenvolvimento e Saúde (LADS) da Unesp-Bauru,
teve sua primeira aplicação em 2005 (VILLAS BOAS; SILVEIRA; BOLSONI-SILVA,
2005) e, desde então, vem sendo aplicado com diferentes populações universitárias,
períodos escolares diversos, tanto no formato de grupo, como individual, tendo por
objetivo tanto a prevenção/promoção de saúde, como o tratamento, quando problemas
de saúde mental já estavam presentes (BOLSONI-SILVA, 2009; BOLSONI-SILVA, et
al. 2009; ROCHA; BOLSONI-SILVA; VERDU, 2012; GARCIA; BOLSONI-SILVA;
NOBILE, 2015; ORTI; SOUZA-GIROTTI; BOLSONI-SILVA, 2015;
BOLSONI-SILVA, et al. 2020; MORETTO; BOLSONI-SILVA, 2019; 2021;
BARBOSA, 2021; OLIVEIRA; BOLSONI-SILVA, 2022). Apesar de estudos
pregressos, a intervenção teve seu manual de aplicação publicado somente em 2020
(BOLSONI-SILVA, et al.)
Com uma leitura analítico-comportamental e construcional, é uma intervenção
semiestruturada e flexível. Há previsão de algumas temáticas a serem desenvolvidas e
indicação de ajustes conforme a necessidade pré-avaliada, obtida em ampla formulação
e avaliação funcional do caso, considerando entrevistas clínicas e diversos instrumentos
aplicados, que culminam em objetivos individuais. Foi delineado inicialmente para
execução presencial, mas com as restrições impostas pela pandemia, algumas
experiências já estão sendo desenvolvidas no formato online.
Pode ser aplicado independente de curso, idade ou ano acadêmico (ainda sem
evidência para estudantes com deficiências). Foi avaliado em casos de fobia social,
ansiedade generalizada, depressão, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno
borderline, e em grupos de universitários com superdotação/altas habilidades
Quanto à estruturação, é previsto ensino e treino de comportamentos
relacionados à comunicação, apresentação em público, organização de rotina, lidar com
autoridade, empatia; direitos humanos, comportamento habilidoso, passivo e agressivo,
expressão de sentimentos, opiniões, críticas e erros, relacionamentos específicos como
amoroso e familiar, além de temática de livre escolha dos participantes relacionada aos
déficits ou excessos comportamentais. As sessões estruturam-se em cinco momentos:
uma parte inicial para tratar da “Tarefa de casa” (sempre contingente ao comportamento
ensinado anteriormente); “Discussão dialogada” (o tema é discutido com o grupo);
“Treino de repertório” (uso de diferentes estratégias como vídeos, role-playing e
atividades de discussão); Explicação de como deverá ser feita a próxima “tarefa”;
“Avaliação de sessão”.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Alguns estudos realizados recentemente trazem resultados importantes acerca
da efetividade do programa, Oliveira e Bolsoni-Silva (no prelo, 2022), descrevem
resultados da intervenção em um universitário com depressão maior com comorbidade
de ansiedade e hipóteses diagnóstica de superdotação (n=1, universidade pública, e
atendimento individual) e demonstram resultados a redução de sinais e sintomas
depressivos e ansiosos; maior exposição social; aumento de repertório de enfrentamento
a contextos sociais; aquisição em habilidades de comunicação e afeto.
Barbosa (2021) aborda universitários com hipótese diagnóstica de Altas
Habilidades (n= 5, universidade pública, e atendimento grupal), descrevendo como
resultados a redução de índices clínicos de ansiedade e depressão e aquisição de
comportamentos socialmente habilidosos. Moretto e Bolsoni-Silva (2021) intervieram
com universitários com vínculo à instituição pública e outros vinculados à privada.
(n=5, sendo 3 de universidade pública e 2 privada, atendimento grupal) e
demonstraram como resultado a aquisição comportamental; redução de indicadores de
problemas de saúde mental (mudança de clínico para não clínico); não houve diferença
em universidade pública ou privada.
Bolsoni-Silva et al. (2020) no próprio manual do programa, apresentam um
estudo de caso único, com estudante com diagnóstico de transtorno boderline (n=1,
universidade pública, atendimento individual) e demonstram melhora no repertório de
HS, autoconhecimento, diminuição do comportamento de procrastinação e
desenvolvimento de habilidades de organização e planejamento de tarefas acadêmicas.
Moretto e Bolsoni-Silva (2019), atendendo universitários de anos iniciais, de 1° e 2° ano
(n=14, sendo 7 de universidade pública e 7 privada, atendimento grupal) e o resultado
indicou aquisição comportamental para grupo experimental em HS e saúde mental.
Os resultados dos estudos realizados, em geral, demonstraram aumento de
frequência e variabilidade de HS, além da aquisição de novos repertórios que
culminaram na redução de problemas de saúde mental.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Promove-Universitários, desenvolvido e testado nacionalmente, tem se
mostrado uma intervenção eficaz, de baixo custo, com ganhos positivos mantidos em
seguimento para a população universitária. A implementação do promove demonstra
resultados positivos de aquisição e/ou aumento de repertórios e HS, o que favorece com
que o universitário esteja mais apto e receptivo aos reforçadores sociais, aprenda
estratégias competentes de resolver problemas, aumentando assim os fatores protetivos
no contexto da universidade, promovendo por fim o bem-estar universitário.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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diagnóstica de altas habilidades/superdotação. 2021. Dissertação (Mestrado em
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ROCHA, J. F., BOLSONI-SILVA, A. T.; VERDU, A. C. M. A. O uso do treino de
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VILLAS BOAS, A., SILVEIRA, F., & BOLSONI-SILVA, A. (2005). Descrição de
efeitos de um procedimento de intervenção em grupo com universitários: um estudo
piloto. Interação em Psicologia, Curitiba, v. 9, n. 2, p. 321-330, 2005.
doi:http://dx.doi.org/10.5380/psi.v9i2.4784
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