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INTRODUÇÃO
O retorno às atividades acadêmicas presenciais para os estudantes na universidade envolve muitas questões pedagógicas a serem resolvidas por eles e reconhecidas pela universidade, tais como de aprendizagem, de organização e de adaptação. E para isso, entendemos que é papel da equipe de apoio pedagógico promover espaços que possibilitem o reconhecimento das potencialidades e das lacunas educacionais ocasionadas pelas adversidades que o ensino remoto e o retorno ao presencial apresentam. Só então será possível o planejamento de ações eficazes para a assessoria destes estudantes.
Entendemos que este momento não pode ser visto como um simples retorno da rotina que os estudantes tinham antes da pandemia. Muitos acontecimentos modificaram o cotidiano destes estudantes e também da própria universidade, transformando as relações, as atividades e as necessidades educacionais que antes eram prioritárias para o ambiente de aprendizagem e que, agora, outras questões se revelam essenciais. E por essa perspectiva, consideramos o que afirma o Hugo Assmann (2000, p 9): “A mera disponibilização crescente da informação não basta para caracterizar uma sociedade da informação. O mais importante é o desencadeamento de um vasto e continuado processo de aprendizagem”.
É certo que o cenário pandêmico foi de crescimento no âmbito das metodologias de ensino-aprendizagem online, mas como evidência Assman, a sociedade da informação necessita do desencadeamento de contínuos processos de aprendizagens. Percebemos que as atividades remotas trouxeram olhares diferenciados para ações que antes eram entendidas como necessariamente presenciais, modulando, assim, possibilidades de ações remotas e virtuais que, em certa medida, se mostraram muito eficazes no âmbito da vida acadêmica. Isso foi vivenciado tanto pelos estudantes e docentes quanto por servidores que realizam o atendimento discente, e por isso a importância de conhecer o sentimento deixado pós pandemia para, assim, repensar as estratégias. As burocracias administrativas e, mesmo, atividades entre estudantes, docentes e servidores TAEs, hoje tomam novas formas e acontecem com eficácia em diferentes formatos e modalidades. Refletindo sobre isso, retomamos o pensamento de Hugo Assmann (2000, p 13) quando questiona o caráter inédito do que a tecnologia vem nos proporcionando, enfatizando que precisamos refazer perguntas antigas, de um nova forma, como esta: “será que as nossas linguagens e nossas formas de conhecimentos foram alguma vez inteiramente nossas ou estiveram desde sempre em estado de parceria, sofrendo variadas intervenções internalizadas em sua própria gênese e constituição”.
E na busca de possíveis respostas do que vivenciamos recentemente, consideramos que os sistemas de informação, comunicação em ambientes virtuais, nestes dois anos de pandemia, foram repensados, reformulados e ganharam novas possibilidades de trabalho. Conforme Martins e Santos (2019, p 49) temos que pensar que “diante das alterações ciberculturais que afetam diretamente nossas formas de existir, há a necessidade de pensar em práticas pedagógicas que contemplem nossas identidades contemporâneas, e principalmente, as identidades dos nossos alunos (...)”. Então torna-se necessário levar em consideração todas estas mudanças relativas às formas de aprendizagem e, além disso, perceber que os estudantes retornaram às aulas presenciais com anseios e expectativas que precisam ser repensadas e consideradas pela instituição. Neste contexto, a assessoria pedagógica torna-se fundamental para auxiliar os estudantes e, nesta perspectiva, concordamos com o que afirma Jaqueline Souza (2019, p 58) Para a autora a assessoria pedagógica deve ser encarada como política da universidade, ou seja, enquanto “um exemplo de como o espaço de apoio pedagógico pode ser institucionalizado como uma unidade de suporte aos docentes e aos discentes no que tange às experiências e o desenvolvimento profissional” .
Neste sentido, tivemos como objetivo nas ações realizadas tanto a manutenção quanto o restabelecimento de vínculos; sejam através da demonstração de confiança e/ou na busca de diferentes atividades para o desempenho/desenvolvimento do apoio pedagógico. Por isso, as reflexões sobre ambas realidades (virtual e presencial) foram fundamentais na intenção de proporcionar uma integração dos estudantes no sentido de buscar um bem-estar acadêmico para o retorno às atividades presenciais.
MÉTODO
A primeira ação realizada foi o levantamento de informações sobre o retorno das aulas à modalidade presencial, a partir de um questionário virtual disponibilizado aos estudantes de graduação da instituição, no período em que eles estavam acessando o sistema da universidade para as matrículas online. Dessa forma, todos puderam participar voluntariamente deste levantamento de informações, no sentido de se posicionar sobre as questões referentes a este momento de mudanças e ao retorno físico à universidade. Sobre a aplicação do questionário, buscamos amparo teórico em questões que norteiam a assessoria pedagógica universitária. Para Souza ( 2019, p 25), um questionário que envolva um Plano de ação precisa fazer uma relação com os seguintes questionamentos: “O que fazer?”, “Por quê?”, “Como pode ser feito?”, “Onde?” e “Quando?”. Conforme a pesquisadora, o plano deve subsidiar os campos correspondentes a quatro núcleos principais: ensino, pesquisa, extensão e gestão.
O questionário buscou contemplar tais núcleos abordando perguntas sobre os seguintes assuntos: o grau de motivação para este recomeço ao ensino presencial; as dificuldades e/ou facilidades que os estudantes tiveram na adaptação aos estudos durante a pandemia; os impactos sofridos com relação aos aspectos emocionais e aos aspectos cognitivos (pensamento,linguagem, percepção, memória e raciocínio) no decorrer da pandemia; a(s) temática(s) que interessam os estudantes para futuras oficinas(s) que melhor atendam suas necessidades educacionais; os sentimentos em relação ao retorno às aulas presenciais; as expectativas para o semestre que se inicia.
A partir deste levantamento de informações foi realizada uma oficina de recepção chamada “Atividades Acadêmicas e Pedagógicas: Começos e Recomeços pós-pandemia”, momento em que apresentamos as respostas da pesquisa realizada com os estudantes, abordando as temáticas que se destacaram proporcionando, assim, um bate papo sobre elas. Nessa oficina, foi fundamental o momento descontraído do café bem como o de apresentação aos novatos e a demonstração de que existe uma equipe disposta a apoiar pedagogicamente os estudantes de graduação, dando suporte neste momento de transição de um período delicado de ensino remoto e pandemia, para um retorno tão esperado por muitos, e cheio de expectativas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Posterior a aplicação do questionário, a oficina com apresentação, debates e café de confraternização foram presenciais com duração de duas horas. A participação na oficina foi menor que a do questionário, o que reforça, então, o aspecto positivo em mesclarmos nos planos de ações, atividades que contemplem ferramentas virtuais e atividades presenciais. Diferentemente dos participantes do questionário, na oficina, a maioria da participação foi a de calouros, o que demonstrou que os veteranos participaram mais no momento da atividade virtual.
A maioria dos participantes na pesquisa expressaram motivação para o retorno ao presencial, e ao mesmo tempo disponibilidade para as mudanças trazidas pelo período de Ensino Remoto, seja em métodos de ensino e/ou em organização de estudos. A primeira pergunta no questionário foi: “De 0 a 10, como está sua motivação para este recomeço (ensino presencial)”. Uma média de 70% respondeu 7 ou mais, ao tempo em que apenas 9%, atribuiu nota 3 ou menos para a motivação ao retorno presencial.
No entanto, quando foi perguntado sobre o impacto emocional que a pandemia trouxe foi unânime respostas revelando que os impactos foram profundos e um número que precisa observação disse que "não sabe ainda ao certo” os impactos que a pandemia trouxe.
Quando foi perguntado sobre os obstáculos enfrentados durante a pandemia, a maioria dos participantes apontou a concentração durante as aulas, ao lado disso, ficou a dificuldade de organização nos estudos e poucos responderam que tiveram dificuldades na interação social.
Além de questões de múltipla escolha, os estudantes puderam descrever as expectativas para o semestre que se iniciará. Mais da metade demonstrou positividade com o retorno das aulas presenciais, mas também ansiedade. Esse espaço se revela enquanto possibilidade de demonstrarem a criticidade e, em algumas respostas, em torno de 35%, de reivindicar outras questões que não estão sob nosso escopo mas que, consequentemente, embasará nosso modus operandi.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O ritual de aplicação do questionário, a elaboração da oficina e a materialização de ambos possibilitaram um debate a respeito das dificuldades de aprendizagem que os estudantes tiveram no decorrer das atividades remotas servindo, então, para o planejamento de nossas ações nas quais encontram-se a elaboração de oficinas.
Compartilhar com os discentes as angústias e motivações decorrentes do movimento de transição entre o ensino remoto e presencial, possibilitou repensarmos nosso planejamento de ações pedagógicas e delinear ações que possam contribuir para o avanço na qualidade da aprendizagem dos estudantes neste retorno ao presencial.
Mesmo que a temática de organização/motivação de estudos seja recorrente em oficinas anteriores (presenciais e em formato remoto), atualmente continua sendo uma demanda, junto com temáticas como a dependência das tecnologias e o impacto emocional disso, a rotina de estudos, produção de textos e escrita acadêmica. Apesar destas demandas, a maior parte das respostas apontaram, também, esperança e otimismo no retorno presencial e, ainda, o reconhecimento sobre a necessidade de utilização das (novas) ferramentas.
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