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RELAÇÕES E ARTICULAÇÕES ENTRE O CINEMA NOVO DE GLAUBER ROCHA E A GEOGRAFIA DA FOME DE JOSUÉ DE CASTRO. UMA DISCUSSÃO SOBRE A GEOGRAFIA DO SUBDESENVOLVIMENTO
Lucas Costa André
UNICAMP
Agora você poderia compartilhar comigo suas dúvidas, observações e parabenizações
Crie um tópicoEsta pesquisa buscou esboçar possíveis conexões e interações entre dois campos distintos do conhecimento que usualmente não se conectam, a Arte e a Ciência, mais precisamente o Cinema e a Geografia, através de intelectuais de destaque em cada um deles: Glauber Rocha, o maior expoente e precursor do movimento cinematográfico de vanguarda Cinema Novo, e Josué de Castro, médico sanitarista e autor de uma das maiores obras primas do campo da geografia brasileira, "Geografia da Fome". Tais escolhas têm sua razão no fato de que ambos pensadores tiveram a fome, maior expressão do fenômeno do subdesenvolvimento, como foco de suas produções. Dessa forma, nos valemos de um articulação teórico-qualitativa, com caráter bibliográfico, entre os discursos, interpretações e representações acerca do subdesenvolvimento e da fome brasileira, pano de fundo da pesquisa, no Cinema Novo e na obra "Geografia da Fome", produções correlacionadas no tempo e imbricadas na política, na cultura e nos aspectos sociais do período em foco. Algumas questões que moveram esta investigação foram: "qual o papel do cinema num país subdesenvolvido?", "qual foi o papel do Cinema Novo na denúncia da fome?" e "quais suas relações com a obra ‘Geografia da Fome’?".
Apoio/Financiamento da Pesquisa: IC Voluntária
Paulo Roberto da Silva Rufino
Parabéns, e já estou aqui na expectativa que você ganhe o Prêmio PIBIC!!!
Cinema é algo que tenho enorme paixão e o Cinema Novo do Glauber me marcou muito também, quando tive contato.
Josué de Castro tem uma pesquisa linda, necessária e extremamente comovente no que diz respeito a direitos básicos da população, sobretudo as mais fragilizadas.
Enfim, é uma conexão de temas, pensadores e ideias tão bem articuladas pela sua pesquisa que me faz querer ver mais, conhecer mais a sua visão.
Por favor, dê continuidade em uma pós-graduação, pois nós ganharemos muito com seu trabalho.
Novamente, parabéns!
PRISCILA MILANEZ
Olá Lucas,
Primeiramente, parabéns pelo trabalho! E pela escolha do tema. A proposta de articulação entre o cinema novo do Glauber Rocha e a geografia da fome do Josué de Castro é interessantíssima. E é muito salutar localiza-la no debate entre arte e ciência. Mas gostaria de trazer como contribuição para um aprofundamento do debate, talvez, em trabalhos futuros: porque não tensionar de forma mais contundente as dimensões políticas da fome? Ou, em outras palavras, por que não ampliar essa articulação entre arte e ciência, incluindo a política? Já que fome é uma questão de escolha política também. Tensionar politicamente esta articulação que tem na fome seu elo comum seria muito interessante. Quando falamos em cinema como denúncia em relação a fome, falamos de um cinema que denuncia um fenômeno que se produz a partir de escolhas políticas. A questão que você propõe como futuro desdobramento pro tema “como o cinema pensa o território?", também demanda esse tensionamento, afinal o território é constituído politicamente também. Há conflitos no campo que impactam diretamente na dinâmica de produção e acesso aos alimentos. Logo, mais uma vez o debate sobre o político se impõe. É sabido que no Brasil se produz alimento em quantidade suficiente para alimentar toda a população, entretanto, o agronegócio com todas as implicações que seu modelo de produção traz, não permite que o alimento chegue a mesa de todos. Seria interessante também como desdobramento para trabalhos futuros, trazer o debate da fome na atualidade, fazendo um paralelo com o passado recente em que se debruçaram Josué de Castro e Glauber Rocha, o curto intervalo de tempo em que o Brasil saiu do mapa da fome e o os números que demonstram que a fome voltou a assolar milhões brasileiros nos últimos anos (sobretudo pós-golpe parlamentar em 2016, cujo o desmantelamento de políticas públicas de atenção a população mais vulnerável foram sendo atacadas).
E, por fim, duas referências que acho que podem te auxiliar no aprofundamento da pesquisa: sobre a cultura participando da construção material da realidade indico a leitura do sociólogo galês Raymond Williams, sobretudo o livro “cultura e materialismo”. E o artigo: Violência, fome e sonho: as estéticas do subdesenvolvimento no discurso de Glauber rocha, disponível em: http://periodicos.uefs.br/index.php/acordasletras/article/view/1504
Seu trabalho é excelente, minhas considerações são mais no sentido de ampliar o debate e dar um adensamento a questão central que articula arte e ciência em sua pesquisa, dando um enfoque às questões politicas que operam como produtoras da fome.
Atenciosamente!
Lucas Costa André
Olá Priscila. Acredito que o trabalho inclua a dimensão política de forma contundente em todo seu desenvolvimento, não teria como ser diferente tratando-se de dois autores e produções que desvelaram a fome - foco da pesquisa - enquanto um tema/fenômeno político. Talvez a impressão de que essa dimensão não esteja suficientemente destacada no trabalho advenha do espaço-tempo limitado, de 5 páginas e em um vídeo de 5 minutos, no qual tivemos que apresenta-lo aqui. Concordo com suas colocações sobre fome e política e pontuo que o desdobramento das questões que surgiram passará por muitos dos pontos que você elencou, tendo a dimensão política do território extensamente avaliada. Mas tratando-se de cinema, nosso movimento de análise parte/partirá das imagens em movimento, isto é, é/será uma análise da construção visual do social e não apenas o contrário - a construção social do visual em que se operam imagens visuais e se realiza uma experiência visual, utilizando o cinema (ou qualquer forma imagética) como mera ilustração. Por fim, acredito que por mais que tenhamos situado a pesquisa entre arte e ciência a dimensão política é indissociável, pois o estético é político, assim como o político também é estético.
Agradeço-lhe pelo comentário, avaliação e sugestões que serão de grande valia!
GUSTAVO AUGUSTO MOREIRA
Parabéns pelo trabalho Lucas, interligando duas grandes áreas a partir de debates que são mais que necessários à geografia e as artes. A fome deve ser mais debatida, e você faz isso muito bem a partir dos autores explorados. Adorei o trabalho.
Lucas Costa André
Muito obrigado pelo seu comentário e gentileza, Gustavo!
ANTONIO CARLOS VITTE
Lucas, parabéns pela pesquisa de IC e que também fez parte de teu TCC.
Vitte
Lucas Costa André
Muito obrigado, professor!
Mas eu que agradeço pela sua contribuição ao meu amadurecimento intelectual e acadêmico, através da oportunidade de encarar tamanho desafio sob sua orientação.
Abraço!
GUSTAVO PALMA DE ANDRADE SANTOS
Lucas, parabéns! Achei muito interessantes os resultados da pesquisa, buscando essa aproximação entre duas obras que estão inseridas no mesmo contexto histórico do (sub)desenvolvimentismo brasileiro. As imagens do cinema engajado realmente têm um papel muito potente de denúncia social.
Lucas Costa André
Obrigado pelo comentário, Gustavo!
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Lucas Costa André
Desculpe a demora para te responder, Paulo. Após o congresso, esqueci completamente da plataforma.
Eu sou muito fã de Josué de Castro, não apenas pelo geógrafo e cientista que foi e de sua importância para os estudos da fome no Brasil e internacionalmente, mas também pela sua sensibilidade e foi exatamente isso que me levou a relacionar uma forma artística à sua obra Geografia da Fome, principalmente após ter descoberto trabalhos dele mesmo que misturam dados científicos e expressões poéticas.
Muito obrigado pelo seu comentário, pela torcida e por ter acompanhado essa trajetória!