A atuação do Clube da Madrugada na imprensa manauara

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Detalhes
  • Tipo de apresentação: Trabalho
  • Eixo temático: HUMANAS
  • Palavras chaves: Modernismo; Imprensa manauara; Clube da Madrugada;
  • 1 Unicamp

A atuação do Clube da Madrugada na imprensa manauara

VICTÓRIA DO MONTE RODRIGUES

UNICAMP

Resumo

Em 1954, em Manaus, um grupo de jovens intelectuais com ideias modernistas fundou o Clube da Madrugada para discutir assuntos políticos, econômicos e, principalmente, literários. Em 1961, após diversos poemas e textos publicados em O Jornal, eles ganharam um suplemento literário dominical. A partir de então, a fama dos clubistas aumentou e suas atividades ampliaram para a seara do cinema, rádio, intercâmbio cultural e promoção de eventos que envolviam a sociedade amazonense. O chamado Caderno da Madrugada foi publicado até 1972, contudo, eles também realizavam publicações em outro importante jornal da época: o Jornal do Commercio. Embora tenham sido feitos estudos sobre a questão visual e de conteúdo do Caderno da Madrugada, não há ainda publicações sobre o que era divulgado no Jornal do Commercio. Assim, esta pesquisa teve por objetivo analisar a produção do Clube nesses dois veículos de informação e compará-las. Para isso, foram vistas 685 ocorrências do termo "clube da madrugada" no Jornal do Commercio, disponível na Hemeroteca Digital, alguns exemplares de O Jornal e bibliografia sobre o Clube. Por fim, descobriu-se que a maior parte da divulgação literária acontecia no O Jornal, por meio do Caderno da Madrugada, enquanto o Jornal do Commercio, que também possuiu uma página sob responsabilidade dos clubistas por um ano, mostrou-se uma fonte que nos ajuda a entender mais a identidade e história do Clube da Madrugada e sua importância para o Modernismo no Amazonas.

Apoio/Financiamento da Pesquisa: SAE/UNICAMP

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VICTÓRIA DO MONTE RODRIGUES

Obrigada, Tabatha! Eu olhei as edições físicas do O Jornal de 1961 a 1965, de janeiro a dezembro. Uma pesquisadora do Clube da Madrugada, a Berenice Coroa de Carvalho, trabalhou com essas edições físicas encontradas na Biblioteca Pública do Estado do Amazonas. Fui lá e fiz um cadastro como pesquisadora (nome, instituição, professor orientador e objetivos da pesquisa) e pude ter acesso a essas edições, mas com a pandemia só vi até 1965. De 1965 até 1971 eu tive apenas as citações e resumos dos acontecimentos que a Berenice escreveu no trabalho dela. Já o Jornal do Commercio eu consegui na Hemeroteca Digital. Uma observação sobre a Hemeroteca é que, na época que o Clube tinha uma coluna semanal lá, algumas semanas não eram listadas como ocorrências, então na realidade eu vi muito mais que as mais de 600 que eu menciono no trabalho. Se tiver mais dúvidas, pode enviar! Sucesso com a sua pesquisa!

Ana Maria Ferreira Côrtes

Olá, Victória e Tabatha!

Ia fazer a mesma pergunta e registro meus agradecimentos pela resposta da Victória.

Tabatha Souza

Entendi! Muito legal, gente! Obrigada pela resposta, Victória!

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VICTÓRIA DO MONTE RODRIGUES

Obrigada, Ana! Em relação à ditadura, no livro Manaus: praça, café, colégio e cinema nos anos 50 e 60, do José Aguiar (2002), há uma referência às indiretas que o CM fazia ao governo. Ele diz:

  • Em O Muro, Anibal Beça clama para que se mudem as cores, o muro cansado cansou-se do verde, é preciso uma cor com sabor alegre e livre. Isso nos sugere que o verde não correspondia à liberdade nem à alegria. Amanhã, Talvez..., o título, sugestivo, remete ao futuro como possibilidade de algo vir a acontecer, mas em relação ao presente, Alencar e Silva afirmava Hoje eu não estou para ninguém... nem mesmo para a Revolução. O padre L. Ruas, com sua criação Apocalipse, destaca a figura dos meteoros, representantes das armas bélicas, como ameaças aos jardins, aos campos, aos rios, aos homens. Por fim, Versos de Antiga Circunstância, de Jorge Tufic, clamam por nova aurora. (Aguiar, 2002, p.90).

Acredito que a crítica maior ao golpe tenha se dado por meio da poesia de muro que o clube realizava (infelizmente, por conta do tempo, não pude falar na minha apresentação). Esse movimento de poesia de muro começou com o Murifesto de Jorge Tufic em 1966, publicado no O Jornal, e cuja criação foi influenciada pelo período de repressão. As transcrições de poesia de muro que li não pareciam relacionar com o contexto da ditadura e não encontrei fotos de outros exemplares, mas o Murifesto é bastante interessante:

  • Grotesca alienação é dizer fome,

tanto quanto dizer alienação,

miséria, desemprego

  • Os fatos sociais, o âmago

vivo que modela a 

passagem da fonte para o

vigor crescente das planícies.

  • Êste sim, procede o engôdo vão

das falas sem tributo.

  • Dizer que a mata é verde

Dizer que o céu é azul.

isto não muda a côr da mata,

isto não muda o brilho das

estrêlas.

Além disso, o clubista Thiago de Mello publicou o poema Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente), direcionado a Carlos Heitor Cony (que de início apoiou o golpe), mas nesse caso o clubista já não vivia no Amazonas, o texto era bem mais direcionado desde o título, e ele acabou sendo perseguido de forma mais enfática que os colegas que permaneceram no estado. Espero ter respondido o que você gostaria de saber, qualquer coisa, só escrever!

 

 

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VICTÓRIA DO MONTE RODRIGUES

Obrigada, Thiago! Gostei muito de ver que, apesar de não ter estudado o Clube da Madrugada na faculdade, isso não significou que eles não tiveram relevância num contexto nacional, já que eles foram citados em importantes periódicos brasileiros. Foi como se batesse um orgulho maior das minhas raízes.

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VICTÓRIA DO MONTE RODRIGUES

Oi, Daniela! Concordo bastante com você sobre pausas serem importantes nos vídeos! Particularmente, tive uma dificuldade enorme em chegar aos cinco minutos (naturalmente falo muito), então preferi ficar com essa versão do que acabar perdendo o prazo de envio do vídeo. Mas essa foi minha primeira vez trabalhando com resumo assim, então acredito que ganhei experiência para uma próxima vez chegar num resultado melhor tanto pra mim quanto para quem for assistir. Muito obrigada pelo seu comentário! Gostei muito de trabalhar esse grupo que surgiu na minha cidade, fico feliz que consegui apresentá-lo da forma que merecia.

Daniela Santos

Excelente, Victória. Seu trabalho está impecável: sua escrita, condução do tema, seu domínio e análises (tanto do texto como do vídeo). Essa minha dica não compromete em nada a qualidade do seu trabalho e contribuição a nós. Como você diz, ganhamos sempre experiência. Parabéns, obrigada e siga em frente!

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VICTÓRIA DO MONTE RODRIGUES

Obrigada pelo comentário, Wagner! Confesso que na minha escola (estudei numa escola em que o currículo era igual às demais unidades em outras cidades pelo Brasil) eu também não havia estudado o Clube, mas as escolas municipais e estaduais do Amazonas estudam nas aulas de literatura até hoje. Conheci por conta dos vestibulares locais e de um trabalho que fiz de um livro cuja autora (Astrid Cabral) era clubista. É bem interessante mesmo ampliar os horizontes, imagino quantas coisas não conhecemos por não estarem nos eixos literários mais conhecidos.

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VICTÓRIA DO MONTE RODRIGUES

Obrigada pelo comentário, Celso! Foi muito legal a experiência de aprender mais sobre meus pares "de casa", ao mesmo tempo em que os trazia para a academia do Sudeste. Desejo sucesso com suas pesquisas!

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VICTÓRIA DO MONTE RODRIGUES

Obrigada pelo comentário, Mateus! Eu inicialmente iria ver as edições físicas de 1961 a 1972 do O Jornal, disponíveis na Biblioteca Pública do Estado do Amazonas. Fui lá e fiz um cadastro como pesquisadora (nome, instituição, professor orientador e objetivos da pesquisa) e pude ter acesso a essas edições, mas com a pandemia só vi até 1965. De 1965 até 1971 eu tive apenas as citações e resumos dos acontecimentos que a Berenice Coroa de Carvalho escreveu no trabalho dela de mestrado. Por conta da pandemia, optei por focar mais meu trabalho no Jornal do Commercio, disponível na Hemeroteca Digital. Não foi tão difícil ter acesso ao O Jornal porque no trabalho da Berenice ela mencionava que as edições estavam na Biblioteca Pública e o pessoal de lá foi muito prestativo (o interessante é que antes da pandemia eu já tinha estoque de máscaras e luvas porque era a regra para manusear jornais de antes de 1975). Além disso, eu já havia trabalhado com o Jornal do Commercio através da Hemeroteca em uma disciplina. Sucesso com suas pesquisas também!

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VICTÓRIA DO MONTE RODRIGUES

Obrigada pelo elogio, Murilo!

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VICTÓRIA DO MONTE RODRIGUES

Muito obrigada pelo comentário, Olivia! Então, eu não conheço nenhum professor da UFAM ou da UEA, com exceção de alguns professores da Superior de Ciências Sociais da UEA (fiz um ano de direito). Porém, como eu trabalhei com referências cedidas pela Gerência de Acervos Digitais da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado, eles pediram para enviar os trabalhos produzidos para um acervo deles de teses e dissertações em construção.