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Tomando como referência o pensamento de Paul Ricoeur sobre a identidade narrativa, este artigo busca refletir, a partir do gesto de memória efetuado pelo projeto Quanto tempo dura um bairro?, a respeito das condições de mesmidade e ipseidade refletidas na instituição da memória da cidade, que se dá, neste caso, por meio do registro de seus vestígios materiais, tombados como patrimônio ou em vias de serem tombados. Vislumbrando as fricções na memória e nas temporalidades que o projeto efetua, observa-se um certo tensionamento entre um cotidiano dinâmico e multitemporal e a tentativa de fixação de uma memória, que parece reiterar um gesto monumentalizante sobre a memória da cidade.
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