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Este trabalho pretende analisar as implicações advindas das restrições de possibilidade da existência do ser mulher, no que tange às desigualdades de gênero frente ao trabalho doméstico, por entender que as desigualdades de gênero são consequências da divisão sexual do trabalho. Segundo Scott (1995) ser homem e mulher é uma construção social e histórica, para além da fundamentação biológica. O objetivo é refletir sobre os fenômenos que cercam o trabalho doméstico e o gênero, trazendo o entendimento de que há uma construção de ser mulher na sociedade, e que tal construção de acordo com o olhar fenomenológico pode promover um fechamento diante do ser mulher, na qual a sociedade a coloca em uma posição de cuidado com o outro. A metodologia proposta é um levantamento bibliográfico da filosofia apresentada em Ser e Tempo, em que o filósofo Martin Heidegger se propõe a pensar os modos de existir dos entes (coisas/indivíduos). Neste resumo falaremos especificamente sobre o ser-aí mulher, aquele que é um ente capaz de refletir sobre o seu próprio ser, sendo um dasein (ser-aí), a qual é submetida a tais construções que não vão de acordo com as possibilidades do ser-aí mas sim promover um fechamento, como se fosse um ente simplesmente dado, aquele não é capaz de realizar indagações. A sociedade se apropria do trabalho doméstico visto como algo da natureza da mulher para não o considerar um trabalho. Segundo o IBGE (2016) a média de horas dedicadas aos cuidados de pessoas/afazeres domésticos, por gênero/horas semanais, é de 18,1% para o gênero feminino e 10,5% para o masculino. E, a proporção de trabalhadores(as) domésticos(as) remunerados(as) de 16 ou mais de idade no total de ocupados(as) no mercado de trabalho, é equivalente a 14,6% de mulheres e 0,9% de homens (IBGE 2018). A discussão é que ser vista como aquela que deve exercer o cuidado com o outro, limita as possibilidades do dasein mulher, colocando-a numa esfera do trabalho reprodutivo, utilizando-se do pressuposto de que é algo natural do seu ser. Observa-se que há uma centralidade do trabalho feminino atrelado ao cuidado, a qual pode ser colocada tanto na esfera gratuita quanto na remunerada. Assim, o trabalho feminino é estigmatizado por uma dinâmica reprodutiva, se referindo a profissões de produção da vida (Hirata 2020). Concluindo, ao longo da história o ser mulher foi moldado para estar em uma posição de saber-fazer, exercendo o cuidado através do trabalho doméstico como algo instintivo. A Fenomenologia se põe como uma importante lente de revisão das determinações sócio-históricas com fins a um revisionamento das posturas ético-políticas rumo a uma reabertura do devir deste ser-aí mulher.
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