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Desastres ambientais: entre o saber técnico e o saber popular
Letícia Carvalho da Silva
Universidade Federal Fluminense
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A ocorrência de tempestades, vendavais e outros fenômenos da natureza é algo inevitável, mas seu agravamento e os danos causados aos sujeitos podem ser reduzidos, senão evitados, com ações implementadas na gestão de desastres. Conformada pelas ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação, a gestão de desastres deve ter como um de seus elementos essenciais o conhecimento. Nesse sentido, olhar para o passado torna-se essencial para a construção do futuro. Todavia, apesar dos registros históricos apontarem que situações de desastres relacionadas às águas são enfrentadas no município de Campos dos Goytacazes desde o século XIX, causando danos e perdas irreparáveis à cidade e aos seus residentes, a transparência na divulgação das informações sobre os desastres pelo poder público ainda se apresenta deficitária, dificultando, em grande medida, o aprendizado que pode ser gerado a partir desse processo. Em vista disso, este trabalho tem por objetivo apresentar dados preliminares que evidenciam a divergência entre os registros do poder público e a realidade vivenciada pela população afetada do 13º distrito de Campos dos Goytacazes, no qual a equipe desenvolve um estudo de caso no âmbito da pesquisa “Mobilização social e enfrentamento de desastres ambientais em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense /RJ”, vinculada ao Núcleo de Pesquisas e Estudos Socioambientais da Universidade Federal Fluminense. Para a realização do estudo, foi efetuada uma análise dos dados sobre desastres relacionados à água disponíveis no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID) do governo federal (1970 a 2016) e complementados pela Secretaria Estadual de Defesa Civil do Rio de Janeiro (2017 a 2020), os quais foram comparados com as informações acessadas nas entrevistas em profundidade realizadas com moradores de Santo Eduardo. Enquanto o poder público apresenta registros sobre desastres ocorridos em Campos dos Goytacazes apenas a partir de 2003, incluindo somente três notificações de Santo Eduardo, a população relata a ocorrência de cinco grandes eventos. Diante disso, compreendendo que tanto o saber técnico como o saber popular são importantes para estudos e pesquisas sobre desastres ambientais enquanto processo social, assim como para o aprimoramento da gestão de desastres, e que só o saber técnico não é suficiente, concluímos que se faz ainda mais necessário o resgate histórico junto à população que possibilite a compreensão dessa realidade social, assim como para construção de novos saberes que contribuam para mudanças efetivas na atuação do poder público, e para a criação de políticas públicas específicas para o enfrentamento aos desastres.
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