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Ácido alfa-lipóico e câncer: evidências científicas

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Introdução: O ácido alfa-lipóico (ALA) é um dissulfeto endógeno sintetizado nas mitocôndrias, que desenvolve importante papel no metabolismo energético, como cofator de complexos enzimáticos. É encontrado em diversas fontes da dieta, tanto animais quanto vegetais, porém, em baixas concentrações em ambos. Além de sua já bem estabelecida potente atividade antioxidante e anti-inflamatória, estudos pré-clínicos in vitro e in vivo recentes têm demonstrado a ação do ALA em reduzir o crescimento de células cancerígenas. Objetivos: Investigar a relação entre o ALA e neoplasias, levantando evidências científicas atuais acerca da temática. Métodos: Trata-se de uma revisão bibliográfica, onde foram pesquisados artigos científicos através da base de dados PubMed no período de 2015 a 2016, baseada nos seguintes descritores de ciências da saúde (DeCS): "thioctic acid" e "neoplasms". Resultados: Uma das ações do ALA consiste em induzir a morte de células cancerígenas por diferentes vias, sem comprometer as células saudáveis não modificadas. Dentre estas vias destacam-se a ativação da autofagia pelas células, inibição da proteína cinase B, que promove sobrevivência, progressão e disseminação de células oncogênicas, indução de apoptose e perda do potencial da membrana das mitocôndrias. Diversos estudos têm sustentado a ideia de o ALA possuir como alvo a mitocôndria, sugerindo a ativação da via mitocondrial de apoptose em células neoplásicas, aumentando a produção de espécies reativas de oxigênio e interferindo no metabolismo energético, levando à morte celular. O ALA também demonstrou efeito sobre a metástase, bloqueando a invasão e disseminação de células tumorais. É relatado um número considerável de diferentes células neoplásicas que respondem positivamente à utilização do ALA, como hematológica, da mama, pulmonar, epidérmica, colorretal, tireoidal e pancreática. Importante ressaltar que não foram observados efeitos adversos significantes em testes clínicos com o ALA, graças à sua capacidade de não atacar células inalteradas, diferentemente das drogas antineoplásicas utilizadas atualmente, sugerindo a ideia do seu uso em associação, tendo como resultado um efeito sinérgico. Em um estudo com células humanas de carcinoma hepatocelular, foi demonstrada a capacidade do ALA de induzir ou reprimir a expressão de determinados genes, modificando a regulação do metabolismo celular, onde, neste caso, as células diminuíram a produção exacerbada de lipídeos. Uma nova abordagem vem utilizando o ALA de forma inovadora no desenvolvimento de sistemas de carregamento e liberação de drogas em nanotecnologia. Um estudo traz a possibilidade de se criar um sistema sintetizado a partir de propilenoglicol e modificado com ALA, a fim de facilitar a ligação com fármacos antineoplásicos, neste caso doxorrubicina, facilitando sua liberação em alvos específicos, aumentando sua eficácia. Conclusão: Não foram encontrados na literatura ensaios clínicos que elucidassem os efeitos terapêuticos do ALA no câncer, contudo, estudos pré-clínicos têm demonstrado resultados sobre o crescimento de células cancerígenas. O ALA aparece também em metodologias experimentais no desenvolvimento de novas tecnologias nanomoleculares de carregamento e liberação de drogas antineoplásicas. Tendo em vista a carência de conhecimento acerca da questão, mais pesquisas clínicas e pré-clínicas fazem-se necessárias a fim de se elucidar mais profunda e claramente os efeitos do ALA no câncer.