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Esse trabalho aborda como o pensamento positivista (Augusto Comte) foi apropriado por intelectuais na Primeira república e é reverberado na construção de uma educação patriótica através dos livros de Moral e Cívica. Especificamente pretendemos estudar as representações que são construídas por esses pensadores sobre os povos indígenas. Falta de direitos, resistência, opressão e exclusão foram traços fortes no início da República. A educação foi umas das saídas pensada para amparar ideologicamente o novo regime vigente, pois era preciso educar o povo para alcançar o estágio das nações civilizadas. Além disso, a escolarização das massas traria mais legitimidade aos poderes públicos do novo regime, principalmente a partir da participação democrática representada pelo voto. Essa educação deveria ser a porta-voz dos interesses dessa nação, e para isso entra em cena a disciplina Moral e Cívica. Existia um fio condutor entre esses textos/autores, aos quais tudo era levado a um ideal de nação e cidadão patriota (ideal). Introduzida nos currículos escolares com o objetivo de suprir o diálogo entre o governo e estudantes. Essa literatura patriótica ganhou força no início do século XX e rapidamente foi adotada como livros de leitura para as escolas, gerando inclusive um mercado editorial com foco nesse segmento literário. Entre os autores podemos destacar o parnasianista Olavo Bilac que em parceria com Coelho Netto lançaram entre muitos livros publicados nesse segmento, A Pátria Brazileira, que teve 26 edições. Além desse sucesso editorial, utilizado em centenas de escolas no Brasil, Bilac lançou outros manuais que bebiam na fonte do positivismo, como por exemplo Através do Brasil, em parceria com Manoel Bomfim. Os três intelectuais inspiravam-se na mesma fonte de modernidade científica que Comte traziam no seu sistema de valores positivos: em primeiro lugar vinha a humanidade, seguida pela pátria e a família. Dentre esse quadro da primeira república queremos nos deter com mais afinco, ao estudo das representações dos povos indígenas nesses livros didáticos de Moral e Cívica. A fim de entender como se dá o processo de tutela desses povos pelo Estado e como essa literatura positivista colaborou para isso através de discursos pacificadores, mas que podemos construir outras chaves de leituras, como por exemplo a subalternização e a assimilação à “cultura civilizada”.
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