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A história pode ensinar apenas conteúdos tradicionais como também pode propor diálogos interculturais para a construção de outras narrativas que contribuam para uma educação antirracista. De acordo com Paulo Freire, visto como precursor em sua proposta pedagógica da decolonialidade, é preciso dar ao outro o direito de falar. Uma educação a partir de um currículo decolonial está comprometida com os oprimidos, com as memórias e histórias dos subalternizados e voltada para a luta antirracista. Com o objetivo de enriquecer o ensino de história, a aula-passeio à comunidade quilombola possibilita conhecer saberes dos grupos subalternizados e invisibilizados da nossa história. O propósito é dar protagonismo ao negro sem a intenção de anular a história colonial e hegemônica, legitimada nos currículos escolares e na história e memória da cidade de Paraty, visando desconstruir o mito da superioridade branca e da inferioridade negra. Por meio de um currículo decolonial, o que se propõe é construir narrativas históricas contra-hegemônicas a partir das memórias e histórias do griot, o mais velho e experiente que preserva e transmite oralmente os saberes da comunidade. Uma perspectiva decolonial negra para o currículo procura por o negro como sujeito histórico. Busca-se, ainda, o cumprimento da Lei n. 11.645/08 que torna obrigatória nos currículos escolares da Educação Básica o Ensino de História e Cultura de Afro-Brasileiros e Africanos e das populações indígenas brasileiras. Também aplica a Base Nacional Comum Curricular, que traz como uma de suas competências gerais a necessidade de se valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais. Conhecer os saberes quilombolas, suas histórias e memórias, permite elaborar outras narrativas que possibilitam construir uma identidade positiva do negro, que representa a maioria dos educandos das escolas públicas. Permite romper com a prática da ausência de representação dos negros não apenas nos currículos de história, mas também nos livros didáticos, modificando a visão forjada do negro como mero coadjuvante da história, reconhecendo-a como plural, descolonizando nosso olhar.
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