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O artigo “A escola de lá e de cá: a perspectiva dos alunos imigrantes” é uma prévia de um projeto de pesquisa em desenvolvimento na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Senador Salgado Filho, em Gramado/RS sobre a vivência escolar dos estudantes imigrantes. Para este trabalho, foi realizada uma entrevista com um dos 26 alunos matriculados em 2022 e que nasceram em outros países. O objetivo geral do projeto é conhecer o processo de adaptação dos alunos à escola brasileira; os objetivos específicos são compreender as dificuldades/facilidades, diferenças/similaridades da escola dos países de origem em relação ao Brasil para com isso subsidiar ações futuras, inclusive políticas públicas ao menos em âmbito municipal, para dar o suporte aos educandos imigrantes ou filhos de imigrantes. O projeto de pesquisa segue as propostas de História Oral e busca uma interseccionalidade com a História Pública. O referencial teórico baseia-se em: Santhiago (2013 e 2018), Portelli (2016), Frisch (2016) e Meihy e Seawright (2020). O trabalho apresentado aqui é uma construção coletiva, organizada a partir das necessidades da comunidade escolar da EMEF Senador Salgado Filho, em Gramado/RS. A unidade escolar terminou o ano letivo de 2022 com 1270 alunos matriculados. Deste universo de alunos, 26 são imigrantes de outros países. O número crescente de alunos imigrantes é um fenômeno nacional, visto que os dados do Observatório das Migrações Internacionais (ObMigra) do Ministério da Justiça apontam que o Brasil recebeu, entre 2011 e 2020, 971.806 imigrantes (CAVALCANTI, OLIVEIRA E SILVA, 2021). Muitos imigrantes estão em idade escolar, porém, mesmo com o acesso garantido por meio da legislação, isso não significa são ofertadas condições de permanência para estes estudantes. Exemplo disso é a falta de políticas públicas voltada a estes estudantes. Mesmo com o aumento imigrantes em Gramado, a única ação voltada à escolarização deles ocorreu em 2019: a Universidade Aberta do Brasil (UAB) promoveu em parceria com a faculdade de Letras da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) um curso de formação em Língua Portuguesa para Estrangeiros (TOMAZELI, 2019). Com a entrevista do projeto piloto foi possível observar que o domínio da Língua Portuguesa é fator fundamental para que eles se integrem aos colegas e ao cotidiano da escola. Da parte da escola, fica evidente que os esforços são individuais dos professores, pois não houve nenhum programa de formação ofertado pela Secretaria Municipal da Educação (SME), bem como não há orientações sobre como proceder para a avaliação dos alunos cuja língua materna não é o português.
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