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Esse trabalho faz parte da pesquisa “Patrimônio histórico-cultural material e imaterial nas cidades de Mato Grosso do Sul e seu impacto histórico-cultural: cultura regional e formação de um sistema de preservação a partir da educação patrimonial” o qual está sendo desenvolvido na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Assim, tem-se como objetivo desse trabalho produzir reflexões que possam ser utilizadas nas aulas oficinas em escolas públicas de Campo Grande – MS, com a vertente sobre a contribuição cultural das mulheres negras. Ao analisarmos historicamente, o cabelo afro resiste contra a lógica hegemônica, a valorização dos traços negros fortalece não apenas a autoestima, mas o movimento social. O “Black Power” recebeu notoriedade na década de 1960 nos Estados Unidos, marcado pelo partido dos Panteras Negras, com sua chegada no Brasil em 1970, o crespo foi conduzido lentamente a ser chamado de “cabelo da moda” portanto os alisamentos e cultura de branqueamento passam a ser confrontados. O cabelo afro e as tranças nagôs são considerados uma das maiores resistências nos traços negros, não são apenas fios, volumes e texturas, aceitar abrir o Black é automaticamente se aceitar e reconhecer-se como pessoa preta ou até mesmo com traços negroides, o cabelo afro carrega ancestralidade e cultura. O objetivo desse trabalho é problematizar como a mídia interfere na construção de identidade da mulher negra, reforçando estereótipos de beleza e sexualização de seu corpo, no livro “Quem tem medo do feminismo negro?” No livro “Quem tem medo do feminismo negro?” a autora Djamila Ribeiro, intitula o último capítulo de “A mulata globeleza: Um manifesto” relatando como a mídia durante o período de carnaval utiliza a mulher negra apenas como um corpo atrativo reforçando a visão da “mulata” brasileira, sendo o termo em si uma problemática, pois a palavra mulata deriva-se de mula no espanhol, ressaltando o cruzamentos entre espécies, indicando a mestiçagem de maneira pejorativa para se referir aos negros de pele clara, os critérios de seleção para tornar-se globeleza são parecidos com a forma que os senhores de engenho utilizam para escolher suas escravas, devem ser esteticamente “bonitas” e possuir um corpo com curva, sendo os critérios para se tornar globeleza parecidos com os que os senhores de engenho utilizam para escolher suas escravas, devem ser “bonitas” e ter um corpo com curvas, sendo assim torna-se essencial a problematização e contextualização sobre como a mídia interfere na construção da imagem e identidade da mulher negra desde a infância, influenciando em sua autoestima. A mídia aprisiona o corpo da mulher negra somente ao espaço de erotização e lucro comercial, as representando para o exterior como mulheres “quentes” e sensuais por natureza, enfatizando a imagem do Brasil como país que valoriza a miscigenação, todavia a sexualização vendida ao exterior em sua maioria ressalta mulheres de pele negra clara com corpos exuberantes, dando vazão ao termo “mulata de exportação” extremamente presente nos comerciais de carnaval e de cervejas, as negras de pele retinta mesmo com mais visibilidade e poder de fala atualmente, raramente conseguem protagonizar novelas e se destacar por seu talento, em novelas e minisséries principalmente da emissora Rede Globo pessoas negras ocupam grande espaço somente atuando como escravos, em determinadas novelas estimula-se uma perspectiva romantizada entre senhores de engenhos e suas escravas, ressaltando uma suposta paixão carnal que posteriormente se tornaria “amor” proibido entre o senhor e sua escrava.. A mulher negra na escravidão é retratada com supostos “benefícios” presumindo que seu trabalho era vinculado somente aos afazeres domésticos, entretanto a maior parte de escravos e escravas trabalhavam na lavoura podendo iniciar desde a infância, todavia a exploração da mulher foi além de seu limite físico corporal, também pode ser estipulados pelos abusos sexuais sofridos, os maus tratos podiam variar de acordo com as atitudes de seus senhores, tanto a mulher quanto o homem escravos eram tratados como propriedade, porém quando era conveniente explorar a mulher na lavoura, o senhor a enxergava como um ser desprovido de gênero e quando se tratava de abusos sexuais eram reduzida a condições de fêmeas. “Na propaganda vigente, “mulher” se tornou sinônimo de “mãe” e “dona de casa”, termos que carregavam a marca fatal da inferioridade. Mas, entre as mulheres negras escravas, esse vocabulário não se fazia presente.” (DAVIS, 2016, p.30) As mulheres estavam sujeitas não somente a punições com açoites, mas ao estupro, sendo justificado através da erotização do corpo da mulher negra, considerado exótico e provocativo. Nas últimas décadas o discurso racial adquiriu visibilidade nos noticiários, imprensa e atualmente nas redes sociais, após vinte anos de ditadura militar no Brasil que censurou, perseguiu e limitou informações midiáticas, em 1985 inicia-se movimentos voltados a liberdade de imprensa, que poderiam enfim tratar de assuntos como “a situação de pessoas afro-brasileira pós abolição da escravatura” gerando discussão social. A mídia contemporânea possui grande responsabilidade na construção da identidade feminina e negra no Brasil, a liberdade individual se choca diversas vezes com mensagens machistas, misóginas, racistas e sexistas em revistas, comerciais, outdoors, novelas etc, a imagem feminina passou a ser utilizada como mercadoria, enfatizando uma exposição erótica para atrair o público masculino, enquanto o homem é retratado como uma figura de viril e detentor de poder econômico a mulher é vista como um ser submetido, que deve submeter-se ao homem. Com o surgimento dos meios de comunicação midiáticos (revistas, jornais, programas de TV, redes sociais etc.) criou-se novos modos de influenciar a maneira da mulher se enxergar diante a sociedade moderna, a publicidade utiliza-se do corpo feminino para direcionar a atenção do consumidor aos produtos comercializados, entretanto a diferenciação entre a hipersexualização do corpo feminino branco e negro ocorre através da análise sobre o espaço ocupado por cada mulher dentro da sociedade, levando em consideração os privilégios de classe social e étnico-racial. Nesse trabalho será utilizado comerciais, notícias e revistas, que retratam a mulher negra como alvo, o principal objetivo desse projeto é a realização de aulas oficinas em escolas públicas de Campo Grande - MS com temáticas sobre o corpo da mulher negra, baseando-se na Lei 10639/2003 que inclui a obrigatoriedade da “História e cultura Afro-brasileira” no currículo oficial da rede de ensino, conscientizando jovens negras sobre cultura e autoestima, compreendendo seu espaço na sociedade ocidental que baseia seus padrões de beleza no europeu.
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