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Nos últimos anos experienciamos retrocessos socioculturais de grande monta ao redor do mundo, seja pelo avanço de forças políticas reacionárias em vários países, seja por meio das tendências de desqualificação da diversidade e defesa da exclusão de seus representantes dos espaços públicos. Pensar o ensino de História na Educação Básica nesse cenário implica, a nosso ver, assumir que as questões relativas à alteridade e à subjetividade se impõem de modo urgente. Considerando tais premissas, nosso trabalho procura refletir sobre a utilização de documentos de arquivos para a produção de conhecimento histórico escolar. Após desenvolvermos um projeto de extensão que contou com a participação de professores e estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental, acreditamos que práticas educacionais capazes de aproximar instituições arquivísticas e escolares contribuem com processos de educação das sensibilidades. Em contraposição a práticas que reduzem a leitura de documentos à extração de informações a serem reproduzidas, procuramos potencializar modos de formação sensível, estimulando a identificação de experiências vividas tanto no âmbito público quanto privado. Assim, tratamos o direito de coexistir e compartilhar a coisa pública a partir das fontes, além de suscitar interpretações que permitam o estabelecimento de relações mais empáticas e plurais com o outro na contemporaneidade.
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