Vila Bela da Santíssima Trindade, MT (1752 ): Paisagem transicional de uma cidade centro-sulamericana

Vol. 1, 2019. - 112716
Apresentação Oral
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Resúmenes

A hinterlândia brasileira, por inúmeras vezes, foi alvo de investidas dos colonizadores em busca de riquezas naturais e na tentativa de sua colonização. No século XVIII, o arco de implantação das vilas pombalinas desde o extremo norte, passando pelas fronteiras ocidentais com a América hispânica, até a bacia platina ao sul, é um demonstrativo de tais intenções. Nesse contexto surge a Vila Bela da Santíssima Trindade, fundada em 1752 para ser a primeira capital da nova capitania de Mato Grosso, como núcleo urbano a assegurar os predicados de colonização e proteção territorial. Cidade intencionalmente criada (TREVISAN, 2009), sua paisagem seminal traz algo de novo para os assentamentos da região, um traçado geométrico conformando um tabuleiro xadrez quase perfeito – configuração típica às cidades da América espanhola. Na limiaridade entre territórios de domínio português e espanhol, teria Vila Bela da Santíssima Trindade esse fator transicional por dois universos distintos?
Questão a ser respondida por este artigo, que igualmente pretende verificar e analisar o projeto implantado em Vila Bela e suas transformações espaciais ao longo do tempo, ocasionadas por mudanças no cenário político-econômico da região e por adaptações sócio culturais. Busca-se igualmente entender como esse patrimônio particular de nosso urbanismo agrega paisagens de cidades sul-americanas, de origem portuguesa ou espanhola, e em que medida suas transformações ocorreram e, sobretudo, o(s) porquê(s) elas ocorreram.
Para tanto, a realização deste trabalho se baseou em material histórico sobre as cidades coloniais brasileira do período, em especial de Vila Bela da Santíssima Trindade, levantados em livros, documentos, pesquisa junto à sede da superintendência do IPHAN-MT. Citam-se aqui os registros históricos e cartográficos sobre a cidade presentes em Os Anais de Vila Bela de 1734-1789 de autoria de Amado e Anzai (2006), nas pesquisas do professor Nestor Goulart Reis Filho (1968; 2000) e nos estudos de Sousa (2018). De modo complementar, visita a campo foi realizada visando identificar e compreender a paisagem existente hoje.
Dentre alguns resultados a serem expostos, têm-se a percepção de uma cidade esquecida no tempo e no espaço, nos rincões ocidentais de nosso país. Se, por um lado, este núcleo representou o esforço da Coroa portuguesa em dotar suas vilas oitocentistas de um traçado regular, como afirma Delson (1979); por outro, ao se aproximar dos moldes urbanísticos espanhóis, a falta de adequação dos princípios urbanísticos à realidade do contexto trouxe consequências de mal êxito. O traçado rígido e erudito dessa sede administrativa, incrustrada no centro do continente sul-americano, não se adequou aos modos de vida de seus habitantes e às condicionantes ambientais, sofrendo adaptações a serem melhor exploradas no decorrer do trabalho. Permanências e rupturas que possibilitarão ter maior compreensão sobre esse objeto único, um campo rico de interpretações.

Instituciones
  • 1 Instituto Euro Americano de Educação Ciência Tecnologia
  • 2 Universidade de Brasília
Eje Temático
  • Patrimonio y memoria en la ciudad sudamericana contemporánea
Palabras Clave
Paisagem
Colônia
Cidade Nova