Frequência de Grazing e associações com obesidade, psicopatologia e perda de controle alimentar em contextos clínicos e comunitários: revisão sistemática da literatura

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Detalhes
  • Tipo de apresentação: Painel
  • Eixo temático: Aspectos transdiagnósticos
  • Palavras chaves: grazing; Grazing Compulsivo; Comportamento alimentar;
  • 1 Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo
  • 2 Universidade de São Paulo

Frequência de Grazing e associações com obesidade, psicopatologia e perda de controle alimentar em contextos clínicos e comunitários: revisão sistemática da literatura

Marília Consolini Teodoro

Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo

Resumo

O grazing é definido como a ingestão de pequenas quantidades de alimentos de forma repetitiva e não planejada, associado a obesidade, compulsão alimentar e fatores psicológicos, mas pouco se sabe sobre manifestação desse comportamento em amostras comunitárias. Este trabalho é uma revisão sistemática da literatura cujo objetivo foi identificar e avaliar estudos que examinaram a frequência de grazing em populações de contextos clínicos e comunitários, sua relação com psicopatologia, obesidade e sensação de perda de controle. Foram selecionados dez estudos dos últimos dez anos. Os estudos selecionados usaram três definições diferentes de grazing e três instrumentos diferentes para avaliação. Seis utilizaram instrumentos validados, três utilizaram uma entrevista não validada e um adicionou suas próprias perguntas a um questionário já existente. Os resultados de frequência foram apresentados por seis dos dez estudos, porém com alto desvio padrão, sendo a menor frequência 11% e a maior, 46,6%. Os resultados mostraram que o grazing é um padrão alimentar comum tanto em amostras clínicas como comunitárias, no entanto, com manifestações específicas em cada população, mediadas principalmente pelo nível de perda de controle. Em amostras clínicas (seis estudos) houve mais resultados de associação de grazing com medidas de peso e psicopatologia, bem como maior frequência de grazing associado a perda de controle. Também houve associação com sintomas ansiosos, depressivos e estresse em três estudos. Associações com outras variáveis de comportamento alimentar também foram relatadas, como pior qualidade de vida, compulsão alimentar e comer noturono. Nas amostras comunitárias (quatro estudos), dois estudos não encontraram associação de grazing com medida de peso (IMC), mas foram encontradas associações com sintomas psicológicos, sendo também associações mais fortes quanto mais alto o nível de perda de controle. A análise dos resultados demonstrou que as conclusões são mais claras e explicativas quando são utilizadas medidas de avaliação associadas ao nível de intensidade da perda de controle. Quando isto não é feito, os resultados são mistos e não fornecem grandes contribuições. Além disso, os resultados reforçam a definição de grazing baseada em um continuum de perda de controle, com subdivisão do grazing em compulsivo – associado a maior nível de perda de controle – e comer repetitivo – associado a menor nível de perda de controle, em detrimento de medidas dicotômicas comumente usadas. Vê-se como necessário o uso de medidas consensuais e validadas na avaliação deste comportamento, para maior compreensão do fenômeno em todas as populações e desenvolvimento de intervenções adequadas.

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