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O autocriticismo pode ser entendido como um processo psicológico caracterizado por uma maneira hostil, crítica, punitiva e/ou acusatória de se relacionar consigo próprio diante de situações de falhas/desapontamentos/desconfortos. Apesar de frequentemente ser considerado como desejável, em virtude de uma aparente função “automotivadora”, na prática tem se mostrado associado a maior sofrimento psicológico em uma ampla gama de problemáticas humanas, assim como a piores resultados psicoterápicos. Assim, este corpo de evidências parece sugerir que tornar o autocriticismo um dos targets terapêuticos pode ser relevante para o tratamento de diferentes quadros. Neste sentido, realizamos uma revisão crítica de literatura, através de buscas de artigos empíricos, de revisão crítica, sistemática e metanálises em diversas bases de dados internacionais, com o objetivo de compreender melhor o estado atual do conhecimento na área, buscando verificar a quais variáveis o autocriticismo tem sido consistentemente associado, de que maneira este processo poderia interagir com outras variáveis para predizer piores resultados terapêuticos e se há diferenças substanciais nos resultados entre pacientes que apresentam diferentes problemáticas. O autocriticismo tem sido sistematicamente associado a transtornos alimentares, episódios depressivos, ansiedade social, estresse pós-traumático, insatisfação corporal, transtorno de personalidade borderline, risco de suicídio, vergonha, comparações sociais desfavoráveis, transtorno de humor bipolar, desesperança, ruminação, dentre outros. Ainda, estudos têm confirmado o seu papel preditivo para o agravamento de sintomatologia psicopatológica. O autocriticismo é considerado um fator de risco transdiagnóstico, onde pacientes muito autocríticos frequentemente experienciam piores resultados no processo psicoterapêutico. Contudo, a magnitude da relação entre os níveis de autocriticismo e a resposta terapêutica parece depender das diferentes condições de saúde mental que os pacientes apresentam, sendo que aqueles com transtornos alimentares (especialmente Anorexia Nervosa) apresentam correlações negativas mais fortes, talvez pelo fato da maior parte deles verem alguma “utilidade” em sua autocrítica (e.g., por associá-la à perda de peso). Apesar de mais estudos serem necessários, acredita-se que os dados disponíveis apontam a necessidade de desenvolver uma maneira mais autocompassiva de se relacionar consigo mesmo diante de situações desconfortáveis/difíceis/indesejadas, já que isso parece diminuir os impactos nocivos do autocriticismo, potencialmente melhorando os resultados psicoterapêuticos. FINANCIAMENTO E OU APOIO: Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
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