A maternidade nas mídias digitais: um entrelugar.

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Detalhes
  • Tipo de apresentação: Simpósio Temático
  • Eixo temático: ST54 - LUGARES (IM)POSSÍVEIS PARA A MULHER NO DISCURSO E NA ARGUMENTAÇÃO
  • Palavras chaves: Maternidade; mulher; Discurso; Mídia;
  • 1 Centro de Educação e Ciências Humanas / Universidade Federal de São Carlos
  • 2 Programa de Pós-Graduação em Linguística / Linguística / UNIFRAN (Universidade de Franca)

A maternidade nas mídias digitais: um entrelugar.

Lígia Boin Menossi de Araujo

Centro de Educação e Ciências Humanas / Universidade Federal de São Carlos

Resumo
Este trabalho busca observar de que modo o papel da mulher como mãe vem sendo construído na contemporaneidade com base na análise de posts na rede social Instagram que tratam da temática e de capas da revista Crescer. A mulher, hoje, quando mãe, em virtude de escolhas algorítmicas, recebe em suas redes sociais um número expressivo de posts que tratam e propõem modos de ser, de se comportar e de agir com os filhos, desde como falar com a criança a fim de não acarretar traumas até a busca por métodos que propõem ajudar no processo como a educação parental e os coachings para mães e pais. Nesse caminho, a partir da Análise do Discurso de orientação francesa e de reflexões de Foucault (2015, 2003, 1997)) sobre dispositivo e processos de subjetivação, perguntamo-nos como se constrói, hoje, a partir de uma produção histórica da maternidade, o sujeito-materno e, assim, a partir da circulação de diferentes discursos, como um regime de práticas vai sendo instituído nos mais diferentes lugares e por meio dos mais distintos suportes. Ao mesmo tempo, notamos um embate entre formações discursivas que, de um lado, associam os filhos como felicidade plena, os quais se educam de forma gentil e acolhedora e, de outro, associam-nos com a chegada de uma mudança que trouxe exaustão e que impõe uma jornada de autoconhecimento na qual é preciso acolher a criança "interna" que existe no adulto. Esses e outros posicionamentos produzem sentidos que estigmatizam o modo (no sentido de o que deve ser dito/feito) como as mães educam e criam os filhos até hoje, impingindo à mãe o papel de seguir proposições para que tanto o filho como a mãe sejam supostamente bem sucedidos, ideias essas que, a nosso ver, tanto inserem as mulheres-mãe num processo de subjetivação quanto permitem a emergência de um dispositivo (FOUCAULT, 2015) da maternidade. Portanto, objetivamos analisar um conjunto de discursos que trazem como temática o modo como deve ser e agir a mãe nos dias atuais, em especial, quando tem de lidar com a educação dos filhos; nesse caminho, há a criação de um guia da maternidade, que contém modos de ser mãe.  

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