PROGRAMA DE FORMAÇÃO COLABORATIVA DE INTERLOCUTORES EM COMUNICAÇÃO AUMENTATIVA E ALTERNATIVA EM CONTEXTO ESCOLAR

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Comunicação oral
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Resumo

INTRODUÇÃO
A comunicação é essencial à vida em sociedade, mas pessoas com Necessidades Complexas de Comunicação (NCC) enfrentam barreiras para se expressar verbalmente. A Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) oferece recursos para ampliar ou substituir a fala, promovendo inclusão e participação social. O Profissional de Apoio Escolar (PAE) tem papel importante na mediação entre estudantes com NCC e o ambiente escolar. No entanto, a falta de formação específica prejudica sua atuação. O presente resumo é uma fragmento de uma pesquisa de mestrado que teve como questão norteadora Quais são os efeitos de um programa de formação colaborativa em CAA para PAEs na qualificação desses profissionais, considerando suas percepções, conhecimentos e práticas no atendimento a estudantes com NCC no ambiente educacional?


OBJETIVO
Investigar os efeitos de um programa de formação colaborativa em CAA para PAE, analisando de que maneira essa formação impacta suas percepções, conhecimentos e práticas no atendimento a estudantes com NCC no contexto educacional.


MÉTODO
Este estudo utilizou uma abordagem qualitativa por meio da pesquisa-ação, participaram 10 PAEs de diferentes segmentos escolares, 3 professoras, a pesquisadora (como interventora) e um assistente de pesquisa (registro e transcrição). Foram selecionados PAEs com contrato ativo na escola, disponibilidade e interesse voluntário em participar do programa formativo. O estudo foi realizado em uma escola pública na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Os instrumentos de coleta de dados foram: questionário inicial, diário de campo, fotos e filmagens e questionário final.
Este estudo é um desdobramento do projeto de pesquisa com o foco em acessibilidade comunicacional nas escolas que contou com o fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro através do edital de Apoio à melhoria das escolas da rede pública. Após as autorizações institucionais e assinatura dos termos de consentimento, iniciou-se a pesquisa em três etapas. Na fase exploratória (set. 2023 a mar. 2024), foram realizadas observações, rodas de conversa com as PAEs e aplicação de um questionário inicial para levantar necessidades formativas. Em seguida, na fase de planejamento (mar. a mai. 2024), o programa foi estruturado com base nos dados coletados, e validado pelas participantes. Na fase de formação (abr. a jun. 2024), ocorreram 12 encontros (35h totais), divididos entre aulas expositivas, oficinas práticas e discussão de casos. Todo o processo foi registrado em vídeo e transcrito para análise posterior.
O programa de formação colaborativa com as PAEs contou com 12 encontros, entre abril e junho de 2024. Nos primeiros encontros, foram apresentados os objetivos do estudo, recolhidos os termos de consentimento e aplicado um questionário diagnóstico para mapear conhecimentos e necessidades. A formação abordou temas como CAA e Tecnologia Assistiva (TA), com base em dados do campo e sugestões das participantes. Os conteúdos foram organizados a partir de textos científicos, vídeos e materiais disponibilizados em uma pasta online. A comunicação foi mantida via grupo de WhatsApp, e a participação foi registrada por formulário. As atividades incluíram rodas de conversa, exposições teóricas, oficinas práticas e construção colaborativa de recursos acessíveis, promovendo um ambiente de troca, aprendizado e fortalecimento profissional entre as PAEs.
Durante os encontros formativos com as PAEs, foram desenvolvidas práticas e reflexões sobre o uso da CAA na escola. Iniciou-se com a exploração de softwares e Dispositivos Geradores de Fala, seguida por estratégias de interação com usuários de CAA por meio de vídeos e simulações. Em outro momento, as profissionais mapearam espaços escolares e discutiram acessibilidade com base no Desenho Universal da Aprendizagem. Aprenderam também sobre o uso do PECS-Adaptado, dramatizando suas fases. Houve adaptação de contos e músicas utilizando pranchas de CAA, ampliando os recursos pedagógicos. As PAEs trabalharam ainda com situações-problema reais da escola, criando soluções com apoio da CAA. Posteriormente, compartilharam as experiências com esses recursos e realizaram ajustes. O ciclo se encerrou com uma roda de conversa, avaliação e valorização do percurso formativo.
A etapa de avaliação foi realizada com uma roda de conversa final entre a pesquisadora, coordenadoras e as PAEs, com o objetivo de discutir percepções sobre a formação, dúvidas remanescentes e orientações sobre os certificados. Em seguida, todas as participantes preencheram um questionário final, com o apoio da pesquisadora na escola para eventuais esclarecimentos. Também foram registradas mudanças no ambiente escolar, arquivados os materiais no Google Drive e foram enviadas cartas de agradecimento à equipe gestora.
Questionários com perguntas fechadas e abertas foram organizados em bancos de dados com auxílio dos softwares Access e Excel para categorização e visualização em gráficos. Utilizou-se também a análise comparativa de dados, com aplicação de questionários no início e fim do programa. A autoavaliação das participantes foi feita com base em 11 itens relacionados à CAA, sendo possível verificar mudanças na percepção e domínio dos conteúdos ao longo da formação.
 

RESULTADOS E DISCUSSÃO
A pesquisa envolveu dez PAEs, todas mulheres, com idades entre 21 e 58 anos. A maioria tinha apenas o Ensino Médio e nunca havia participado de cursos sobre CAA, apesar do interesse em Educação Inclusiva. Esse cenário evidencia a precarização do trabalho, frente à complexidade das demandas enfrentadas.
A maioria das PAEs atuava entre um e quatro anos, sem experiências anteriores com inclusão, atendendo em média seis estudantes por ano, sobretudo com Deficiência Intelectual e Transtorno do Espectro Autista (TEA). Não havia PAEs no Ensino Médio, o que revela desigualdade na distribuição do apoio escolar.
As motivações para a atuação incluíram o desejo de contribuir com a inclusão e desenvolver vínculos afetivos. Contudo, relataram dificuldades como sobrecarga, ausência de formação, pouco reconhecimento e relações escolares desafiadoras. A maioria colaborava na adaptação de atividades, mas apenas metade participava da elaboração do Plano Educacional Individualizado (PEI), embora todas desejassem maior reconhecimento no planejamento pedagógico.
A formação proporcionou avanços significativos na autoavaliação das participantes em temas como CAA, Tecnologia Assistiva, PEI, PECS-Adaptado e estratégias de comunicação. A utilização dos pictogramas do ARASAAC foi predominante na confecção dos materiais, com atenção às necessidades individuais dos estudantes com NCC. O processo foi orientado por um fluxograma baseado em Manzini e Santos (2002), com etapas estruturadas para criação, teste e acompanhamento de recursos.
As participantes avaliaram positivamente a formação, destacando o caráter prático, leve, colaborativo e transformador do curso. Algumas sugeriram maior participação da comunidade escolar e mais atividades práticas. Os relatos indicaram mudanças na prática profissional, aumento da confiança, desejo de continuar na área e aprofundar os estudos.
A literatura consultada (Schirmer et. al. 2023; Souza et. al. 2024)  destaca a falta de regulamentação da profissão de PAE e a carência de políticas públicas que assegurem formação específica, reconhecimento e melhores condições de trabalho. A formação mostrou-se eficaz no contexto local, mas evidencia a necessidade de ações estruturais mais amplas para fortalecer a inclusão escolar.
A implementação da CAA nas escolas enfrenta desafios como a falta de formação dos profissionais, escassez de recursos e pouca colaboração entre os envolvidos. A pesquisa-ação colaborativa com PAEs mostrou-se eficaz ao promover uma formação prática, reflexiva e alinhada às realidades escolares, incentivando práticas mais inclusivas. Apesar dos avanços, a ausência de estudantes usuários de CAA, a participação restrita aos PAEs e o tempo limitado foram fragilidades do processo. O estudo destaca que mais do que tecnologia, é essencial valorizar a comunicação como direito humano, promovendo inclusão por meio da interação e da participação ativa de todos.

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Instituições
  • 1 Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • 2 Fonoaudióloga e Professora Associada da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e do Programa de Pós-graduação em Educação ProPEd-UERJ
  • 3 Colégio Pedro II
Eixo Temático
  • 3. Barreiras e Soluções na CAA
Palavras-chave
Formação Colaborativa
Profissionais de Apoio Escolar
Comunicação Aumentava e Alternativa