IMPACTO DA INDISPONIBILIDADE DE RIFAMPICINA NO DESFECHO DA INFECÇÃO ARTICULAR PERIPROTÉTICA PÓS ARTROPLASTIA DE JOELHO E QUADRIL POR STAPHYLOCOCCUS SPP

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Resumo

Introdução: A rifampicina é recomendada como adjuvante no tratamento da infecção periprotética (IPP) por Staphylococcus spp., pois atua tanto no biofilme quanto no compartimento intracelular. No Brasil, sua disponibilidade é restrita devido ao risco de indução de resistência em Mycobacterium tuberculosis

Objetivo: Analisar a incidência de falha de tratamento (FT) em pacientes com IPP estafilocócica tratados com ou sem rifampicina. 

Metodologia: Coorte analítica retrospectiva, com revisão de prontuários de pacientes com IPP causada por Staphylococcus spp., previamente submetidos a artroplastia primária de joelho ou quadril, e internados para tratamento inicial da IPP entre jan/2009 e fev/2021. FT foi definida como infecção nova ou persistente pelo mesmo microrganismo; necessidade de nova cirurgia ≥14 dias após o procedimento inicial; óbito relacionado à IPP. O período de seguimento foi de 2 anos. Os dados foram registrados no programa RedCap e analisados no Stata 17.0. 

Resultados: Foram incluídos 97 pacientes (mediana de idade: 64,5 anos; 51,6% homens; 88,7% com comorbidades), sendo 32 com IPP após artroplastia de joelho e 65, de quadril. Predominaram IPP precoces; o tratamento cirúrgico inicial foi desbridamento com retenção do implante em 47,4%. Antibióticos locais foram usados em 40,1%. S. aureus sensível à meticilina foi isolado em 68% dos casos. Setenta pacientes receberam rifampicina por pelo menos um dia (mediana de tempo de uso: 62,5 dias). FT ocorreu em 18 pacientes. Tabagismo atual foi fator de risco para falha (HR[IC95%]=2,75[1,01-7,45];p=0,047). Uso de rifampicina por ≥30 dias foi fator protetor (HR[IC95%]= 0,37 (0,12-1,14); p=0,085, porém sem atingir significância estatística. 

Conclusão: Em um cenário de acesso irregular à rifampicina, não ser fumante atual foi associado ao sucesso do tratamento de IPP estafilocócica. O uso de rifampicina por mais de 30 dias como tratamento adjuvante demonstrou uma tendência ao sucesso do tratamento.

 

 

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Instituições
  • 1 Divisão de Ensino e Pesquisa, Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, Rio de Janeiro, Brasil
  • 2 Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia
  • 3 INSTITUTO NACIONAL TRAUMATOLOGIA E ORTOPEDIA
Eixo Temático
  • Pesquisa Clínica e Pesquisa Qualitativa em Saúde
Palavras-chave
Rifampicina
Infecção periprotética
Infecção por Staphylococcus aureus
Artroplastia primária de Joelho
Artroplastia primária de Quadril