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Psicanálise e neurociências: aproximações e afastamentos em torno do problema da naturalização da subjetividade

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A compreensão dos processos de constituição do sujeito e sua relação com as estruturas afetivas têm sofrido profundas mudanças nas últimas décadas em consequência das descrições produzidas pelas neurociências. Diante disso, autores do campo psicanalítico têm ampliado seu escopo investigativo para estabelecer um diálogo intelectual produtivo entre a psicanálise e esse campo do saber. Esse trabalho discute dois filósofos de orientação hegeliana e lacaniana que buscaram essa interlocução: Slavoj Zizek e Adrian Johnston. Buscando traçar similaridades e diferenças entre Freud e Lacan em comparação com neurocientistas contemporâneos, eles chegaram a conclusões opostas. Para Zizek as neurociências falham em não reconhecer a cisão radical do sujeito com sua base biológica que advém com a aquisição da linguagem, pois o acesso ao mundo simbólico romperia drasticamente com a natureza biológica do homem. Johnston, ao contrário, defende um sujeito formado pela articulação biologia-linguagem-emoção, afirmando que desnaturalização nunca é completa, restando permanentemente resíduos biológicos não assimilados, incorporados em diversos níveis e que estão implicados na cisão constitutiva do sujeito. O ponto central é que os autores discordam quanto ao lugar da natureza na subjetividade, um deles acredita que as neurociências estão produzindo um tipo não redutivo de materialismo dialético que estão subvertendo as noções tradicionais de naturalismo e anti-naturalismo, deixando para trás qualquer forma de cisão radical natureza-cultura.