44886

Miss Violence: O segredo na dinâmica e na constituição do abuso sexual diante da perspectiva do agressor

Favoritar este trabalho

Resumo

Este artigo apresenta uma análise documental do filme Miss Violence, buscando compreender de que forma o agressor se utiliza do segredo em situações de abuso sexual no contexto intrafamiliar. Para isso, inicialmente foi realizada uma revisão bibliográfica onde se procurou abordar o perfil do agressor, a violência intrafamiliar e o pacto de silêncio, através da qual foi possível perceber que o segredo atua como um facilitador para o abuso, logo que envolver cada vez mais a vítima dentro dessa rede de agressão físico/simbólico. O filme Miss Violence retrata a história de uma família tipicamente patriarcal que logo de início se apresenta perfeitamente organizada. No entanto, a capa de normalidade que reveste essa família começa a se desfazer a partir do momento em que uma das crianças, Angeliki (Chloe Bolota), suicida-se em seu aniversário de 11 anos com um sorriso no rosto e o serviço social começa a investigar a causa de sua morte. Eleni, mãe de Angeliki, é convocada para esclarecer aos assistentes sociais sobre o que aconteceu com a sua filha, porém, ao passo que Eleni não consegue justificar o motivo do incidente, algo misterioso e sombrio parece fazer parte do cotidiano dessa família grega. A partir da análise do filme e da bibliografia pesquisada, é importante constatar que o abusador pode usar seus aspectos pacatos e moralistas como maneira de transformar a sua intimidade intrafamiliar em um contexto reservado no qual possa realizar, impunemente, esse ideal sexual onipotente e narcísico.