LIMITES E POSSIBILIDADES DA CLÍNICA FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL NO ATENDIMENTO DE CLIENTE DIAGNOSTICADA COM TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDELINE
Objetivamos apresentar as experiências da psicoterapeuta em atendimento à uma cliente diagnosticada com Transtorno de Personalidade Borderline . A psicoterapia fundamentou-se nos pressupostos teórico-metodológicos da Psicologia Existencialista. O caso clínico atendido é de uma mulher cujo quadro nosológico é ser Borderline. Dentre inúmeras formas de expressar a inviabilização de seu pleno desenvolvimento de ser objetivada em um corpo anoréxico, a cliente o faz com evidências de automutilações. Sua biografia nos indica o quão certo estava Sartre, ao afirmar que a família, independente de sua composição na contemporaneidade, é um elemento primário relevante de mediação entre o indivíduo e a sociedade; pois é por meio da família (ou de outro núcleo que o abriga na infância), que o indivíduo inicia sua construção como sujeito. A cliente não aprendeu o que é ser cuidada e protegida. Conquanto, buscara vorazmente no outro, inclusive na psicoterapeuta, a aceitação incondicional. As vivências da ameaça e do desamparo significadas na relação com o outro, representava-lhes o inferno, mas também no outro acreditava encontrar o paraíso, a proteção. Esta experiência ambígua fora provocada na psicoterapeuta, que ora experienciava o desejo de protegê-la, ora de abandoná-la. Pela consciência reflexiva desta relação com a cliente, e pela noção de conversão moral de Sartre, foi possível igualmente desvelar sua vivencia paradoxal, bem como reconhecer que a relação terapêutica se estabelecera nesse paradoxo. Contudo, progressos foram constatados com a mudança no delineamento da relação, quando à relação terapêutica, enquanto espaço de mediação entre duas pessoas, foram colocados limites sem ameaças. Ao negar-lhe o total controle da relação, mas também acolhendo-a, possibilitei que integrasse em mim, tanto a consciência da reciprocidade positiva, quanto de um outro não objetivado, livre, só assim capaz de ajudá-la a na elaboração reflexiva que fez das suas experiências existenciais.