Implicações prático-teóricas do fundacionismo e da identidade no campo da psicopatologia
Cientistas e pesquisadores de diversas áreas utilizam o fundacionismo radical como forma de justificação do conhecimento, ainda que não se dêem conta disso. Essa perspectiva defende a existência de crenças básicas que não precisariam de justificação e, além disso, que seriam definitivas e imutáveis. Num campo de conhecimento híbrido, como o é a psicopatologia, o uso do fundacionismo radical contribui na perpetuação de identidades profissionais rígidas, na manutenção de sectarismos e na sustentação de grupos que funcionam como verdadeiras seitas, como já alertava Karl Jaspers há mais de cem anos atrás. Essa forma de justificação do conhecimento - por essas e outras razões - prejudica o diálogo interdisiciplinar, o que, em última instância, prejudica os próprios atendimentos clínicos. Nesta apresentação argumentaremos a favor de uma concepção de identidade processual, e não fixa, seguindo Boesch (1991), Giddens (2002) e Sen (2015). Apresentaremos também alguns dos principais argumentos do coerentismo e do pragmatismo, que normalmente são considerados as melhores alternativas ao fundacionismo. Concluímos que sustentar a possibilidade de crítica, mesmo para as crenças consideradas mais fundamentais, é benéfico para um campo do saber composto por concepções teóricas distintas.