Imagens como cápsulas do tempo: narcisismo contemporâneo e espiritualidade
Em um contexto de profusão de imagens e virtualização das relações, cujas possibilidades e aparatos tecnológicos levam a uma proliferação de subjetividades instantâneas, buscamos analisar o fenômeno de exteriorização do eu na contemporaneidade. Os denominados shows do eu (SIBILIA, 2008) são pistas que nos falam de um desejo de estar presente no mundo, de sentir-se vivendo no tempo. No entanto, assim como são voláteis e efêmeras as mensagens que as imagens expõem, assim também parece ser a constituição das subjetividades, cada vez mais distanciada de sentido. Sendo assim, podemos nos indagar se a espetacularização de nossos dias está ligada a um desejo profundo de esconder as mazelas próprias de Narciso; que prefere apegar-se a imagens de si que conhecer a si mesmo - a fim de preencher seu vazio interior. Neste sentido, buscamos analisar o fenômeno do narcisismo contemporâneo a partir de “filosofia do espírito” de Lavelle (2012), cuja obra célebre trata do apego de Narciso a uma imagem enganadora de si mesmo na qual ele deposita o seu próprio ser. Temos como hipótese a ideia de que a exteriorização por meio de imagens é uma tentativa contemporânea de comprovar a própria existência e deixar os rastros da mesma no mundo, semelhante as famosas cápsulas de tempo – caixas escondidas com objetos de uma época que somente são reabertos em um futuro distante. Metodologicamente, essa pesquisa configura-se como uma investigação teórica que busca aprofundar o conceito de narcisismo na perspectiva metafísica em contraste com as demais perspectivas (LASCH, 1983; SENNET, 2010; LAVELLE, 2012, etc.) e aplicá-lo à análise do fenômeno de proliferação de imagens (SIBILIA, 2008; KEHL, 2005, etc.).