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Autonomia e Drogadição: contribuições clínicas da Prática Baseada em Valores

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Historicamente, o debate sobre o respeito à autonomia individual no contexto da Saúde Mental vem progredindo e trazendo avanços teóricos importantes. Tornou-se cada vez mais clara a necessidade da inclusão do ponto de vista dos pacientes para um melhor encaminhamento terapêutico nessa área. Nesse sentido, a atuação do movimento da Luta Antimanicomial foi decisivo. Também o Principialismo, dentro do âmbito bioético, tem apresentado uma contribuição relevante. A partir desse contexto, o presente trabalho enfoca de maneira específica a reflexão sobre um tema muito controverso e relevante, de grave importância para a sociedade atual: a dependência química e suas implicações clínicas. Por suas características intrínsecas e sua abrangente disseminação, a drogadicção constitui campo privilegiado para análise do tema do respeito à autonomia em Saúde Mental. Nesse sentido, constatamos que, embora avanços teóricos tenham ocorrido, uma ponte concreta para a aplicação real da promoção da autonomia ainda se fazia necessária, configurando um preeminente desafio. Como fruto do presente estudo, sustentamos aqui que a Prática Baseada em Valores (PBV), abordagem recente, mas de sólida consistência teórica, responde a esse problema e constitui importante caminho para a concretização do necessário respeito à autonomia no contexto do tratamento da drogadicção. Demonstramos, assim, ao examinar seus pontos essenciais, que essa nova corrente teórica e terapêutica oferece, por sua maneira positiva e resolutiva de lidar com os valores complexos envolvidos no tema, um conjunto prático de ferramentas necessárias e adequadas para o preenchimento dessa lacuna antes existente.