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A relevância e atualidade do conceito de perda da evidência natural (Blankenburg) na compreensão psicopatológica e na clínica da esquizofrenia

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A relevância e atualidade do conceito de perda da evidência natural (Blankenburg) na compreensão psicopatológica e na clínica da esquizofrenia.

Autora: Janaína Cruz
Pós-graduanda em Psicopatologia Fenomenológica Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo - São Paulo, Brasil

Coautora: Melissa Garcia Tamelini
SBPFE – Sociedade Brasileira de Psicopatologia Fenômeno-Estrutural - São Paulo, Brasil

Dentro da tradição da Psicopatologia Fenomenológica, há o entendimento de que a especificidade da esquizofrenia não deve ser buscada em fenômenos como ideias delirantes e alucinações. Diversos autores dedicaram-se à busca do núcleo essencial da patologia. Dentre eles, destaca-se Blankenburg. Em 1971, ele aponta como essência esquizofrênica a perda da evidência natural, uma quebra na ancoragem pré-reflexiva com o mundo e com os outros. Esta ruptura do senso comum, típica da patologia em questão, decorreria da modificação das proporções antropológicas constituintes das estruturas apriorísticas da consciência.
Após retomar brevemente a noção de perda da evidência natural, apontaremos a importância e atualidade de tal concepção no entendimento psicopatológico da esquizofrenia. Para tal, assim como Blankenburg, também daremos voz a uma paciente esquizofrênica que se mostra capaz de refletir sobre a própria condição subjetiva e expressar de maneira contundente as alterações básicas da existência decorrentes da patologia. Selecionaremos e analisaremos algumas das diversas descrições dela sobre as dificuldades que enfrenta para o exercício das atividades mais banais do cotidiano, que ela resume como “é tudo um problema de consciência”. Por fim, teceremos algumas considerações sobre as implicações terapêuticas de tal compreensão essencial da esquizofrenia no manejo clínico e cotidiano destes pacientes.