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A EXPERIÊNCIA DE SER MEDICADO EM ADOLESCENTES COM TDAH

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Em pesquisa que teve por objetivo compreender o fenômeno do TDAH sob o olhar da psicopatologia fenomenológica de Arthur Tatossian, utilizamos o método fenomenológico crítico, no qual foram entrevistados individualmente oito adolescentes de ambos os sexos. Uma das categorias emergentes foi nomeada de medicação, visto que todos os entrevistados fizeram referencia ao seu uso, aparecendo de forma ambígua os significados vivenciados: o remédio era sentido como responsável pela diminuição dos sintomas, e, também, lhe foi atribuído a não interferência na melhora do sofrimento. Sob a lente de Tatossian, observamos que ainda há restrição aos sintomas, sendo pouco explorado o fenômeno da experiência vivida de adolescentes diagnosticados com TDAH. Um dos entrevistados mencionou se sentir velho por tomar diariamente remédio, o que pode remeter a uma fase da vida debilitada e que seu uso revelaria uma condição de vida enferma. Foi destacada a importância da medicação na concentração e melhora no rendimento escolar. Não apareceu desconforto por tomarem, especificamente, medicamento psiquiátrico. Houve contato esporádico com a medicação, somente fazendo uso quando achavam que precisavam. Ao utilizarem o remédio em necessidades que sentiam como pontuais, como antes de uma prova difícil, pensamos que, talvez, não se reconheciam com o transtorno, mas sentiam que o remédio poderia ajudar nessas situações. Olhar o sofrimento humano apenas através de uma abordagem biológica limita o alcance de cuidado, levando a acreditar que somente o medicamento eliminará o sofrimento. Investigar esse fenômeno a partir da lente da psicopatologia fenomenológica de Tatossian foi importante a fim de ampliar a compreensão do vivido de adolescentes com TDAH que fazem uso de medicação, indo além dos sintomas. Concluímos que os adolescentes entrevistados se mantêm presos aos sintomas e ao diagnóstico, pouco explorando os sentidos da experiência de ser diagnosticado com TDAH.