NEURORRETINITE POR BARTONELLA: RELATO DE CASO

Vol 1 , 2022 - 155483
Resumo
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A Bartonelose é uma zoonose transmitida por vetores com distribuição mundial, que pode infectar uma ampla variedade de mamíferos, incluindo humanos. Uma das espécies mais comuns é a Bartonella henselae que tem como seu principal reservatório o gato. Em humanos, a infecção é comumente associada à doença da arranhadura do gato (DAG), que pode ser autolimitada ou causar sinais graves, como uveíte, neurorretinite e endocardite. A infecção entre animais e para humanos ocorre por meio da inoculação de fezes de pulgas, arranhões, mordidas, transfusões sanguíneas e por agulhas. Este trabalho tem por objetivo relatar um caso humano de Bartonelose ocorrido em Curitibanos-SC e alertar estudantes e profissionais de Medicina Veterinária sobre a doença. No dia 19 de março de 2022, um paciente felino foi atendido em uma clínica veterinária da cidade, apresentando sinais clínicos de diarreia, desidratação, caquexia e presença de vários ectoparasitas. Durante o atendimento de estabilização do animal, o paciente arranhou a Médica Veterinária (MV), rasgando a luva e promovendo uma ferida na pele, que foi imediatamente tratada com álcool e iodo. No dia seguinte, após quadro de diarreia intensa e hipotermia, o paciente veio a óbito. Um mês após o atendimento, a MV apresentou perda total temporária da visão do olho direito, além de formigamento nos braços. Quatro dias após o início dos sinais clínicos em consulta oftalmológica, foram evidenciados sinais de arteriosclerose no olho direito, nervo óptico ligeiramente diminuído e amaurose fugaz. Com suspeita de trombose, foi iniciado tratamento com anticoagulantes. Dois dias depois, a MV teve a perda da visão completa do olho direito e formigamento nos braços. Em nova consulta, foi detectada neurorretinite óptica, que levou a suspeitar de bartonelose e à coleta de soro para titulação de anticorpos específicos IgM e IgG. Quatro dias depois, em consulta com um retinólogo, foi detectada a lesão característica da DAG - estrela macular na retina. O tratamento instituído foi doxiciclina (100 mg, VO, BID) e corticoide (60 mg, VO, SID), por seis semanas. No retorno, quinze dias depois, a retina havia desinflamado, mas o nervo óptico ainda apresentava edema e a MV permanecia com perda total da visão do olho direito. Foi estipulado aumento da dose de doxiciclina (200 mg, VO, BID), corticoide (80 mg, VO, SID) e Rifampicina (300 mg, VO, SID) por mais 7 semanas. A titulação de anticorpos foi positiva apenas para IgG (1/320), não sendo possível o diagnóstico pela sorologia. O diagnóstico geralmente é clínico, com base no histórico, identificação das lesões, como no caso apresentado de formação macular em estrela e na avaliação da resposta terapêutica. A antibioticoterapia utilizada neste relato foi adequada para eliminar a infecção e encurtar o tempo de recuperação visual. Atualmente, após seis meses de infecção, a MV não recuperou totalmente a visão, permanecendo com neurite óptica. Médicos veterinários possuem alto risco de exposição a esse patógeno, o que torna a conscientização sobre a transmissão de Bartonella e a tomada de medidas preventivas importantes para diminuição do risco de infecção e prováveis problemas de saúde.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal de Santa Catarina / Centro de Ciências Agrárias
  • 2 Universidade Federal de Santa Catarina
Eixo Temático
  • Medicina Veterinária e Saúde
Palavras-chave
Bartonella henselae
Doença da arranhadura do gato
zoonose