MATERIAIS DIDÁTICOS NA FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DE SURDOS E SUAS PERSPECTIVAS NO AMBIENTE LINGUÍSTICO

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I CIEDS 2026
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Resumo

A formação continuada para professores de alunos surdos é um desafio nos ambientes linguísticos (Zilio; Wicths, 2018) diante das diversidades e da heterogeneidade dos sujeitos que ali interagem, principalmente em contexto educacional. Por isso, considerar formações que contemplem as experiências e vivências de cada participante é permitir a reflexão, o diálogo e a criticidade que constituem uma educação linguística que entende os materiais didáticos como aliados desse processo. Diante do exposto, este trabalho visa integrar os materiais didáticos na formação continuada destes professores, fortalecendo suas práticas educativas em salas de aula ou no Atendimento Educacional Especializado. Nesse sentido, o objetivo é discutir a elaboração de material didático como possibilidade de uma educação linguística para estudantes surdos. Estabelecemos os seguintes objetivos específicos: i) desenvolver consciência crítica; ii) promover a colaboração das práxis; iii) identificar os principais desafios e possibilidades na formação docente. Acreditamos que uma educação linguística que acontece nas relações sociais e culturais entre os sujeitos ao longo do seu desenvolvimento (Bagno; Rangel, 2005) permeia os ambientes linguísticos e os espaços formativos. Desse modo, a formação continuada de professores de surdos, segundo Vieira-Machado (2016), é uma temática em discussões entre profissionais que buscam uma educação bilíngue que compreenda as especificidades linguísticas e culturais dos estudantes. Nessa perspectiva, considerando o docente/em formação que precisa ter liberdade de usar sua primeira língua como meio de comunicação para uma educação linguística, vamos ao encontro de Tomlinson (2011, 2023), que acredita que materiais didáticos são quaisquer elementos, em sala de aula, que contribuam para a aprendizagem de língua. A pertinência para esta temática vai além de ensinar línguas ou materiais acessíveis: assim como Miller (2013), confiamos numa formação compartilhada que reconhece e valoriza os contextos pedagógicos vividos da formação. Sob esse viés, a formação aconteceu com 19 professores bilíngues de surdos, durante dois dias, com uma carga horária de 3 horas diárias. Optamos por realizar uma pesquisa de natureza qualitativa, que, segundo Gil (2017), tem um enfoque interpretativista, pois permite compreender as vivências sociais dos participantes da formação. A partir da pesquisa-ação, que tem como característica a interação dos professores e formadores (Gil, 2017) com um caráter crítico, reflexivo e participativo, foi possível gerar os dados com as seguintes ações: i) discussões críticas de textos normativos e técnicos; ii) roda de conversa; iii) questionário estruturado online; iv) troca de materiais didáticos. Com isso, a análise dos dados constituiu-se numa base qualitativa interpretativista, isto é, a interpretação das autoras não se orientou apenas em resultados concretos, mas também na subjetividade de cada participante. Para a sistematização dos resultados dos dados, utilizaram-se as discussões do grupo, as rodas de conversa direcionadas e o questionário online. Dessa forma, procurou-se preservar as respostas dos professores, que resultaram em cinco grupos: Os resultados ainda apresentaram os desafios que os professores encontram em seu processo formativo, principalmente quando os ambientes linguísticos e os profissionais (que dela fazem parte) não estão preparados para as diversidades linguísticas que permeiam estes espaços. Mesmo com a carência de materiais atualizados, os docentes conseguem realizar seu trabalho com o pouco tempo de planejamento, a partir de uma formação que esteja aberta a uma escuta ativa e que considere subjetividades. Ainda, foi possível perceber que as partilhas de experiências e de materiais didáticos fortalecem a formação continuada, desenvolvendo o senso crítico e reflexivo e a participação transformadora em suas práxis. Com este trabalho, discutimos a elaboração de material didático para uma educação linguística para estudantes surdos, assim como seus desafios e possibilidades a partir das práticas discursivas docentes. Consequentemente, por meio da análise do material empírico e das narrativas dos participantes, conseguimos destacar cinco grupos importantes que fortalecem e valorizam as práticas de uma formação em educação linguística. Tem-se que um ambiente linguístico favorável reconhece as diversidades socioculturais e identitárias. Portanto, reconhecer que os ambientes linguísticos são espaços de formação é pensar em novas possibilidades, futuras, para uma política de formação bilíngue.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal do Espírito Santo
Eixo Temático
  • SC 1 – Singularidades surdas
Palavras-chave
Material didático
Educação de surdos
Formação continuada
Linguística aplicada
Ambiente linguístico