FORMAÇÃO DE INTÉRPRETES EM CONTEXTOS INDÍGENAS: DESAFIOS MULTILÍNGUES NA EDUCAÇÃO DE INDÍGENAS SURDOS

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I CIEDS 2026
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Resumo

O presente trabalho tem como objetivo refletir sobre a formação e a atuação do Tradutor e Intérprete de Libras/Língua Portuguesa (TILSP) e do Tradutor e Intérprete de Línguas Indígenas de Sinais (TILIS) no contexto da educação de estudantes indígenas surdos, considerando os desafios impostos pela diversidade linguística, cultural e intercultural presente no Brasil. Parte-se do reconhecimento de que a atuação desses profissionais ultrapassa o domínio técnico da tradução e interpretação, exigindo conhecimentos acerca das especificidades das Línguas Indígenas de Sinais (LIS), das culturas indígenas e das políticas linguísticas voltadas à garantia dos direitos educacionais e comunicacionais desses sujeitos. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza bibliográfica, documental e reflexiva, fundamentada em estudos sobre educação de surdos, educação escolar indígena, formação de tradutores e intérpretes e legislação brasileira relacionada à acessibilidade, à Libras e à educação bilíngue. Também dialoga com experiências formativas e vivências em campo, evidenciando a necessidade de uma prática profissional pautada na ética, na sensibilidade intercultural e no respeito às epistemologias dos povos originários. As discussões demonstram que, embora importantes avanços legais tenham ocorrido com o reconhecimento da Libras e com a regulamentação da profissão de tradutor e intérprete, ainda persistem lacunas quanto ao reconhecimento das Línguas Indígenas de Sinais, à formação específica de profissionais para atuar em contextos indígenas e à implementação de políticas públicas que assegurem uma educação verdadeiramente multilíngue e intercultural. Destaca-se, ainda, que a presença de TILSPs e TILIS qualificados contribui para fortalecer o acesso à educação, à comunicação e à participação social dos indígenas surdos, promovendo o respeito às suas identidades linguísticas e culturais. Conclui-se que a formação desses profissionais deve incorporar conhecimentos linguísticos, pedagógicos, culturais e decoloniais, favorecendo práticas educativas comprometidas com a valorização da diversidade, a equidade e a preservação das Línguas Indígenas de Sinais como patrimônio linguístico e cultural dos povos originários. Espera-se que este estudo contribua para ampliar o debate sobre a formação de tradutores e intérpretes e incentive o desenvolvimento de políticas e ações que fortaleçam a inclusão e os direitos linguísticos das comunidades indígenas surdas.

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Instituições
  • 1 UFSCAR- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS
  • 2 Southwest Bahia State University | (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia)
Eixo Temático
  • SC 1 – Singularidades surdas
Palavras-chave
Educação de Surdos
Povos Indígenas
Línguas Indígenas de Sinais
Tradutores e Intérpretes
Educação Intercultural