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O Grupo CUIDA é composto por professoras/es da Educação Básica, atuantes em creches ou pré-escolas públicas no Rio de Janeiro. Todas/os são mestrandos em Educação e desenvolvem seus trabalhos na discussão de diferentes temas que focalizam a docência na creche. O compromisso político com o direito à creche como espaço e tempo de vida, e com o direito ao cuidado como modo de relação responsiva com os bebês e famílias, marca o trabalho do grupo.
Os referenciais teóricos que mobilizam as pesquisas localizam-se nos âmbitos da Filosofia e da Psicologia. Os trabalhos do campo da Filosofia da Diferença, de modo especial Giles Deleuze e Felix Guatarri, inspiram as pesquisas que focalizam movimentos de subjetivação das crianças, desde os bebês, em experiências relacionais que constituem a elas mesmas e ao mundo no qual participam. Nesta perspectiva, um autor importante é Daniel Stern (no plano da Psicologia) e os conceitos de afeto de vitalidade, sintonia afetiva, percepção amodal, atenção conjunta, que colocam no centro das relações com os bebês e crianças pequenas suas capacidades sociais e relacionais. Trata-se da inspiração espinosista para considerar o afeto como propulsor das relações cotidianas das crianças (e bebês) entre si, delas com os adultos.
De outro lado, transversalizando a perspectiva do afeto, o trabalho de Walter Benjamin situa a discussão das crianças, desde os bebês, na cultura, compreendendo seus modos de atuar no desvio da ordem dominante, a partir dos conceitos de mimese, experiência e narrativa. Também Mikhail Bakhtin é um interlocutor importante, contribuindo na discussão da subjetivação como produção estética, na qual se articulam conhecimento, arte e vida.
Os temas de pesquisa nascem da experiência dos professores com a docência, com a prática pedagógica. Também diversos estudos do campo da Educação Infantil alimentam os estudos, especialmente as discussões sobre o cuidado, as possibilidades de uma pedagogia de contexto, as composições das crianças com os espaços, materialidades e rotinas no cotidiano da Educação Infantil.
Desse modo, trazemos para a apresentação 3 trabalhos. O primeiro, “NO BRINCAR DOS BEBÊS COM AS BONECAS-BEBÊS: A PARTILHA DE UM SENTIR NA CRECHE”, apresenta a discussão dos afetos entre os bebês na creche, a partir da cartografia dos registros (fotográficos e fílmicos) produzidos ao longo de um ano de trabalho no berçário, nos quais houve a predominância das brincadeiras com bonecas-bebês. O segundo trabalho, “NA CRECHE: COMPOSIÇÕES ENTRE CORPOSNATUREZA”, apresenta a discussão da integração entre os corpos dos bebês e crianças pequenas e outros modos da natureza no cotidiano de uma creche, a partir de uma cartografia das experiências no quintal da creche. O terceiro, “AS RELAÇÕES ENTRE PROFISSIONAIS E FAMÍLIAS NA CRECHE: OS SENTIDOS DE PERTENCIMENTO E COMUNIDADE”, a partir das narrativas encarnadas do professor-pesquisador em uma creche pública, apresenta tensões e perspectivas da relação entre profissionais e as famílias, discutindo a qualidade comunitária e participativa da creche pública.
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