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Em Moçambique, existem poucas informações sobre a ocorrência de arboviroses. Objetivos: investigar a frequência e fatores associados ao diagnóstico de dengue, chikungunya e zika em pacientes atendidos por doenças febris agudas, nos centros de saúde, na cidade de Quelimane e realizar inquéritos ambientais e entomológicos para estimar a densidade vetorial de mosquitos do gênero Aedes. Metodos: Foi um estudo transversal, baseado em dados da vigilância sentinela para doenças febris agudas, realizada na cidade de Quelimane entre fevereiro e junho de 2016. Foram recrutados 163 pacientes, cujas amostras de sangue foram testadas para dengue, chikungunya e zika e malária (endêmica na região). Estimou-se razão de prevalência (RP), fez-se análise bivariada e multivariada de regressão log binomial, considerando intervalo de confiança de 95%. Calculou-se o índice de positividade da ovitrampa (IPO) e o índice de densidade de ovos (IDO). Resultados: 35 (21,5%) pacientes tinham malária. Não se detectou infecções por DENV, CHIKV e ZIKV por qRT-PCR/soroconversão. Para dengue: 4/127 (3,2%) pacientes testados pelo RDT NS1, foram positivos e 1/104 pacientes testados pelo ELISA IgM, foi positivo. Para chikungunya foram testados 163 pacientes: 17 (10,4%) foram positivos no ELISA IgM e 103 (63,2%) foram positivos no ELISA IgG. Maior idade e menor escolaridade associaram-se com a presença de IgG anti-CHIKV. 16/79 (20,3%) casas tinham imaturos de Aedes aegypti. O IPO foi de 25,0% (16/64) e o IDO foi de 90,8 (1453/16) ovos por palheta. Conclusão: a dengue ocorre com baixa frequência na cidade de Quelimane enquanto que chikungunya deve apresentar transmissão endêmica.