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DESIGUALDADES DE ACESSO À SERVIÇOS DE SAÚDE POR IDOSOS NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO

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A desigualdade no acesso a serviços de saúde é um importante desafio para o Brasil, que apresenta uma grande dualidade no uso de sistemas públicos e privados, ambos atualmente impactados pelo envelhecimento populacional e o incremento da demanda. Tem como objetivo analisar as desigualdades na dificuldade de acesso à serviços de saúde referida por idosos do município de São Paulo. Analisaram-se 1.345 idosos do estudo SABE, 2010 (Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento) utilizando-se modelos de regressão logística múltipla hierarquizada, tendo como variável dependente a dificuldade de acesso e independentes, os fatores de predisposição, de capacitação e de necessidade do modelo de Andersen. Um quarto dos idosos referiu dificuldade para acessar serviços de saúde quando precisou. Na análise múltipla, nenhuma variável de predisposição mostrou associação, as variáveis não ter renda suficiente e não ter plano de saúde mostraram, respectivamente, chances cerca de 2,5 (IC95%=1,88-3,31) e 1,43(IC=1,05-1,95) vezes maiores de terem dificuldade em utilizar serviços de saúde. Idosos que referiram pior percepção de saúde apresentaram maior chance (RC=2,48 IC95% 1,49-4,13), assim como os que apresentaram maior dificuldade para as Atividades Instrumentais de Vida Diária (RC=2,37 (IC95%=1,39-4,01). Na análise múltipla a variável de número de condições crônicas, depressão, fragilidade, dificuldades nas atividades básicas de vida diária e ter usado serviços de emergência perderam significância estatística. Conclusão: Foram identificadas desigualdades com menor dificuldade de acesso a serviços, determinadas por maior renda e uso de serviço privado, apesar das dificuldades de acesso terem sido referidas por idosos que usam tanto o setor público quanto o privado.