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Objetivo: Pacientes internados em unidade de terapia intensiva (UTI) frequentemente apresentam delirium, uma forma de disfunção cerebral aguda. O impacto do desenvolvimento de delirium em desfechos clínicos a longo prazo é pouco conhecido. Por isso, objetiva-se avaliar a associação de delirium com desfechos clínicos em pacientes adultos sobreviventes de UTI. Método: Um estudo de coorte prospectivo multicêntrico foi conduzido em 2 hospitais de Porto Alegre, Brasil, entre os anos de 2014 e 2016. Pacientes adultos, com tempo de internação na UTI >72 horas que receberam alta da UTI foram acompanhados presencialmente durante internação hospitalar e por telefone 3 meses pós-alta da UTI. Foi avaliada a associação de delirium com disfunção cognitiva, taxa de reinternação hospitalar, mortalidade e qualidade de vida pós-alta da UTI, utilizando GEE (Generalized Estimating Equation) com distribuições apropriadas. Resultados: Foram avaliados 413 pacientes entre 2014 e 2016. Destes, haviam 368 com informações completas, resultando em uma incidência de delirium de 29,9%. Pacientes que foram diagnosticados com delirium apresentaram uma disfunção cognitiva média 1,3 pontos menor na escala do Mini Exame do Estado Mental e uma taxa de mortalidade maior (RR= 1,64; I.C.95% = 1,19;2,27), não havendo associação significativa com reinternação e qualidade de vida. Conclusão: Haja vista que pacientes pós-alta de UTI com delirium apresentam menor grau de cognição e maior taxa de mortalidade, se fazem úteis projetos para diminuir delirium, acompanhar e proporcionar reabilitação. Além disso, delirium tendo associação significativa com mortalidade, o número de pacientes para avaliar a qualidade de vida e reinternação é reduzido.