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Esta comunicação nasce do chão da escola pública, onde a filosofia se faz na encruzilhada, no corpo, na palavra e no gesto. Não se trata de perguntar se é possível fazer filosofia na escola, mas de afirmar que já fazemos — e fazemos de outro jeito. Nas rodas que formamos, nas leituras partilhadas, nos saraus de escrevivência, a sala de aula se reinventa como território de pensamento, de encantamento e de criação de mundo. Aqui, deslocamos a origem da filosofia do velho espanto solitário — o thaumazein — e a reposicionamos no encantamento, como propõe Luiz Rufino, entendido como vibração coletiva, como ato de insurgência contra o epistemicídio que historicamente atravessa nossos corpos e nossos saberes. A filosofia que praticamos não separa pensamento de vida, nem razão de sensibilidade. Ela se faz na roda, na encruzilhada, na partilha dos saberes de quem foi historicamente silenciado, mas nunca deixou de pensar, de criar e de existir. A partir da experiência concreta com turmas do ensino médio na rede pública, apresentamos uma metodologia viva: a encruzilhada filosófica, onde cada voz se torna princípio de mundo, onde o pensamento se dança, se canta, se escreve e se performa. Leitura, oralidade, escrevivência e roda se tornam práticas de produção de pensamento. Filosofar aqui é mais que refletir — é fabular, criar, tensionar, encantar. É afirmar que nossos corpos pensam, que nossas linguagens são legítimas e que nossa experiência não é objeto de estudo: é fonte de conhecimento, é cosmovisão, é epistemologia autônoma. Assim, defendemos que a prática da filosofia, quando encruzilhada aos saberes ancestrais, à estética da periferia e à potência da oralidade, não apenas resiste, mas reinventa o que pode ser uma escola, o que pode ser uma aula e o que pode ser, afinal, filosofar.
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