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Este artigo problematiza a concepção formalista da lógica, frequentemente ensinada como um sistema neutro, abstrato e descontextualizado. A partir das contribuições de Susan Haack, Ruth Millikan, J. L. Austin e John Searle, defendemos que a lógica não é uma simples manipulação de símbolos, mas uma prática discursiva situada, permeada por intencionalidades, forças ilocutórias, funções sociais e efeitos epistêmicos. A fundamentação teórica se apoia na Teoria dos Atos de Fala e na crítica epistemológica desenvolvida pela Filosofia da Linguagem e pela Epistemologia Naturalizada. Metodologicamente, o texto ancora-se na minha experiência de elaboração do manual Lógica para desobedecer com razão, desenvolvido enquanto produto da dissertação do programa de mestrado em Ensino de Filosofia na educação básica. Este material propõe deslocar o ensino da lógica de um modelo técnico e descontextualizado para uma abordagem crítica, situada e comprometida com a resistência epistêmica. Os resultados obtidos — e esperados — indicam que essa abordagem permite aos estudantes compreender não apenas a validade formal dos argumentos, mas também os efeitos que os enunciados produzem no mundo, tornando-se capazes de ler criticamente os discursos, identificar práticas de silenciamento e reconhecer os usos da linguagem na construção e na disputa dos sentidos sociais. Concluímos que ensinar lógica, sob essa perspectiva, é formar sujeitos capazes de intervir linguisticamente no mundo, conscientes de que todo raciocínio é, também, uma prática social, epistêmica e política.
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