VIOLÊNCIA DE ESTADO, CURRÍCULO E TERRITORIALIDADE: O ENSINO DE HISTÓRIA EM ESCOLAS PERIFÉRICAS NOS DISTRITOS DA PREDREIRA E CIDADE ADHEMAR, ZONA SUL DE SÃO PAULO

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A presente comunicação tem como tema as manifestações da violência de Estado em territórios periféricos urbanos e suas interseções com o ensino de História na escola pública. O recorte espacial concentra-se em unidades escolares da Rede Municipal de São Paulo, situadas na Diretoria Regional de Ensino de Santo Amaro, especificamente nos distritos da Pedreira e Cidade Adhemar (Zona Sul de São Paulo). Considerando a contemporaneidade como eixo temporal, o estudo tem como objetivo geral analisar em que medida as práticas de ensino de História, desenvolvidas nesses contextos, dialogam com as experiências sociais de estudantes periféricos, especialmente no que tange às formas de violência estrutural e às práticas de resistência que atravessam seus cotidianos (D’ANDREA, 2020)., busca-se, ainda, problematizar se tais práticas pedagógicas contribuem para a construção de leituras críticas da realidade ou se reforçam distanciamentos entre saber escolar e vivência social. No que se refere aos referenciais teórico-metodológicos, a investigação ancora-se em contribuições dos estudos sobre violência de Estado (MBEMBE, 2018), periferias urbanas e educação, dialogando com perspectivas críticas que compreendem o território como espaço socialmente produzido e atravessado por relações de poder. Mobilizam-se, nesse sentido, conceitos como território, resistência, cultura periférica e juventudes, articulados a abordagens do ensino de História que o concebem como prática social situada. Metodologicamente, tratase de uma pesquisa qualitativa, de “tipo etnográfica” fundamentada na escuta e interlocução com professores de História atuantes nas escolas do recorte proposto. Os dados são produzidos por meio de relatos de experiência docente (GOODSON, 2007)., registros reflexivos e diálogos orientados, sendo analisados à luz de procedimentos interpretativos que buscam identificar recorrências, tensões e possibilidades presentes nas práticas pedagógicas descritas. Quanto aos resultados e conclusões, a pesquisa evidencia, ainda que de modo preliminar, a existência de um campo tensionado entre, de um lado, práticas pedagógicas que buscam aproximar o ensino de História das vivências dos estudantes (SPIVAK, 2010) — incorporando debates sobre violência, desigualdade e resistência — e, de outro, abordagens que permanecem ancoradas em narrativas mais tradicionais, por vezes distantes das realidades locais. Observa- se que, quando articulado às experiências territoriais dos sujeitos, o ensino de História pode se constituir como espaço potente de elaboração crítica, contribuindo para a visibilização de violências historicamente silenciadas e para o fortalecimento de formas de “continuar a existir” produzidas pelas juventudes periféricas. Por outro lado, a ausência dessa articulação tende a reforçar processos de apagamento e desidentificação. Conclui-se, portanto, que a construção de práticas pedagógicas mais sensíveis ao território e às experiências dos estudantes é condição fundamental para que o ensino de História atue como instrumento de reflexão crítica e de reconhecimento das múltiplas formas de existência que constituem a periferia urbana contemporânea.

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Instituições
  • 1 UNIFESP
Eixo Temático
  • GPD 17 – Culturas escolares, saberes docentes e práticas de ensino
Palavras-chave
Ensino de História
Violência de Estado
Periferia
Resistências
Território