QUAL É O TRABALHO DE UM PROFESSOR DE HISTÓRIA?: A PERSPECTIVA DOS CONCURSOS PÚBLICOS DE NÍVEL ESTADUAL

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O objetivo da apresentação será discutir as características e funções do trabalho de um professor de História a partir do que é exigido nas provas de concursos públicos para professores das redes estaduais brasileiras. Parto do pressuposto que a docência em História é um trabalho autoral de produção de conhecimento em um lugar específico, a escola, e a partir de uma relação de troca que ali ocorre entre professor e alunos (Ralejo; Monteiro, 2020; Tardiff, 2000; Shulman, 1996). Certamente esse movimento é marcado pela presença do conhecimento oriundo da ciência de referência, conhecido como conteúdo, mas também por elementos da cultura escolar, da comunidade escolar, da relação interpessoal entre todos os diversos sujeitos que compõem a sala de aula, das disputas curriculares que ocorrem em âmbitos locais e nacionais, etc. Isso significa que considero o trabalho docente como sendo de extrema complexidade e atravessado por elementos diversos, o que deveria fazer a seleção para a atuação em cargos públicos nessa profissão um processo também complexo e diverso, mesmo que uma avaliação da totalidade seja impossível (Martins, 2019) a partir da perspectiva pós-fundacional (Mouffe, 2015; Laclau, 2011; Burity, 2008) com que opero. Porém, ao analisar os editais e, mais especificamente, as questões de 14 provas dos últimos concursos públicos para a seleção de professores de História realizados pelas redes estaduais brasileiros, o que encontrei não reflete essas percepções. Na apresentação buscarei aprofundar esses deabtes a respeito do que considero como uma perspectiva mais abrangente da docência em História e do conhecimento histórico escolar (Gabriel; Castro, 2013) frente à exemplos de como esses dois elementos aparecem (ou não) nas provas. Todo esse panorama oferece uma visão possível sobre o que é o trabalho docente, a visão que se hegemoniza (Laclau; Mouffe, 2015) de certa forma por selecionar quem pode ou não atuar como professor nos cargos efetivos na rede pública. É a partir do conhecimento sobre o que tem sido priorizado que podemos produzir demandas (Retamozo, 2009) para questionar e tensionar os sentidos de docência priorizados nesses espaços de grande relevância quando falamos da docência em História.

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Instituições
  • 1 UFJF
Eixo Temático
  • GPD 15 – Trabalho educativo, currículo, memória e saberes partilhados: diálogos sobre ensino de História
Palavras-chave
docência
ensino de história
concursos públicos
conhecimento histórico escolar