O QUE PODE UMA PROFESSORA DE HISTÓRIA COM A TECNODIVERSIDADE?

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Este trabalho apresenta um recorte dos investimentos de pesquisa que venho realizando no percurso de elaboração da minha tese de doutorado. Nele, proponho algumas chaves de entrada para o debate acerca da relação entre o conhecimento histórico escolar (Gabriel, 2017;2013) e o mundo digital a partir da noção de tecnodiversidade (Hui 2020). Inicialmente, discuto alguns dos sentidos hegemonizados que as tecnologias assumem no conjunto de atores que produzem agenciamentos na constituição do conhecimento histórico escolar. Em seguida, proponho uma releitura do conceito de conhecimento histórico escolar a partir de debates teóricos no campo da antropologia que problematizam os agenciamentos dos objetos. Parte-se do entendimento de que, na contemporaneidade, uma série de fenômenos tecnopolíticos tem tensionado as formas de organização da vida cotidiana e escolar. Entre eles, destacam-se a atuação de algoritmos nas dinâmicas sociais e informacionais (Cesarino, 2020; Silva, 2022) e processos de perseguição e vigilância dirigidos a professores (Aquino; Moura; Penna, 2024), por exemplo. Tais fenômenos têm impulsionado questionamentos acerca da suposta inevitabilidade da incorporação das tecnologias digitais na educação de jovens. Em meio a prognósticos ora distópicos, ora entusiastas — que frequentemente apresentam as tecnologias digitais como substitutas de uma suposta humanidade falível representada pelos docentes —, este trabalho busca responder à pergunta que o intitula tomando o mundo digital e o conhecimento histórico escolar como emaranhados sociotécnicos. Defende-se que o ensino de história pode contribuir para desnaturalizar as relações entre humanos e tecnologias que se tornaram hegemonizadas na contemporaneidade. Ao fazê-lo, abre-se espaço para tensionar as fronteiras entre natureza e cultura que sustentaram a constituição da disciplina histórica enquanto ciência moderna. Nesse sentido, argumenta-se que o ensino de história pode colaborar para deslocar os horizontes epistemológicos herdados do Iluminismo, alimentandose de outras formas de narrar e compreender o tempo histórico, como as chamadas cosmohistórias (Seixlack, 2023).

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Instituições
  • 1 UFRJ/UFF
Eixo Temático
  • GPD 18 – Memória, estética e práticas sensíveis: desafios epistemológicos e usos políticos do passado em espaços conectados
Palavras-chave
conhecimento histórico escolar
agenciamento
ensino de história
tecnodiversidade
e tecnologias digitais