MINAS GERAIS NO SÉCULO XVIII A PARTIR DE TESTAMENTOS E CARTAS DE MULHERES

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Esta apresentação integra o projeto Heranças insurgentes (DHIS/CEFET-MG), coordenado pela Prof.ª Isis Pimentel de Castro, com coordenação adjunta da Prof.ª Maria Eliza de Campos Souza. O projeto debruça-se sobre testamentos de mulheres negras libertas, produzidos na comarca do Rio das Velhas, em Minas Gerais, no final do século XVIII, com o intuito de transformá-los em materiais didáticos voltados para o Ensino de História. O principal objetivo é enfrentar as lacunas na aplicação da Lei 10.639/03, especificamente no que tange à interseccionalidade de gênero e raça, ao oferecer fontes que evidenciem a agência feminina frente aos silenciamentos das narrativas oficiais. O referencial teórico-metodológico ancora-se nos conceitos de agência, resistência e micro-história, utilizando a análise crítica de documentos oficiais. A metodologia propõe um estudo comparativo entre duas trajetórias femininas distintas na virada dos setecentos para os oitocentos: a de Maria Correa e a de Bárbara Heliodora. Maria Correa, preta forra da Costa da Mina residente em Sabará, teve sua vida marcada por disputas jurídicas — como denúncias de incapacidade mental e curatela forçada — estratégias usadas por outrem na intenção de cercear sua autonomia patrimonial. A proposta expande-se com a análise de uma carta de Bárbara Heliodora, mulher branca da elite, enviada ao Rei de Portugal questionando o confisco de seus bens por envolvimento na Inconfidência Mineira. Como resultado, apresenta-se a sequência didática O Baú de Maria Correa, que utiliza os bens da preta forra descritos em seu inventário, convidando os estudantes a investigarem indícios de sua vivência e a refletirem sobre temas como liberdade, gênero, religiosidade e redes de sociabilidade. Dando continuidade, ocorre a análise do testamento e da carta, articulando as fontes à discussão sobre as diferentes formas de inserção e interlocução dessas mulheres nas instâncias de poder. Busca-se demonstrar como marcadores sociais de raça e classe condicionam o diálogo com forças institucionais, ao mesmo tempo em que se ressaltam as diversas estratégias de resistência feminina. Com isso, a proposta visa contribuir para a consolidação de um ensino de História antirracista e antissexista, capaz de desconstruir a ideia de passividade feminina, em prol de uma memória histórica vasta, plural e insurgente.

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Instituições
  • 1 CEFET/MG
  • 2 UFMG
Eixo Temático
  • GPD 18 – Memória, estética e práticas sensíveis: desafios epistemológicos e usos políticos do passado em espaços conectados
Palavras-chave
Maria Correa
Bárbara Heliodoro
Brasil Colônia
Ensino de História
Interseccionalidade