MEMÓRIA E CULTURA MATERIAL: A PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO NO COMPONENTE CURRICULAR “ESCREVIVENDO CIÊNCIAS NO MUSEU”

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O presente trabalho tem como objetivo apresentar e refletir sobre experiências de produção de material didático desenvolvidas no âmbito de um componente curricular, de natureza extensionista, ofertado no semestre letivo de 2025.2. Em linhas gerais, a proposta pedagógica do componente “Escrevivendo Ciências no Museu” buscou articular a produção de conhecimento histórico escolar com o diálogo estabelecido junto a instituições museológicas, tendo como fio condutor a discussão teórica sobre a história dos objetos. Nesse sentido, o referencial teórico-metodológico fundamentou-se, sobretudo, nas contribuições de Francisco Régis Lopes Ramos, no livro Em nome do Objeto (2020), acerca da cultura material e do museu como espaços de reflexão histórica, onde o objeto deixa de ser um mero cenário estático para assumir o papel de “objeto gerador” de questionamentos sobre o passado. Nesse sentido, a experiência relatada alinha-se aos debates contemporâneos sobre o ensino de História e as práticas sensíveis, reconhecendo que as narrativas historiográficas se materializam em escolhas didáticas atravessadas por projetos formativos e demandas do tempo presente. A metodologia da disciplina envolveu a aproximação dos discentes com acervos museais, estimulando a construção de materiais educativos que mobilizassem não apenas dimensões cognitivas, mas também estéticas e afetivas. A produção desses materiais didáticos revelou-se um exercício potente para enfrentar os desafios epistemológicos impostos pelos usos políticos do passado, especialmente em um contexto de proliferação de desinformação e disputas de memória, além de permitir uma discussão sobre o uso ético de inteligência artificial generativa no processo de criação didática. Ao deslocar o foco da narrativa tradicional para a materialidade e as sensibilidades evocadas pelos objetos, a experiência evidenciou como as práticas docentes e a elaboração de recursos pedagógicos podem atuar como respostas críticas à crise de evidência histórica. Conclui-se que a horizontalidade entre as organizações de ensino superior e as instituições museológicas potencializa a formação de professores-pesquisadores capazes de integrar o rigor do pensamento histórico a aspectos característicos das sensibilidades e da memória coletiva, promovendo um ensino de História comprometido com a alteridade e com a reflexão sobre os fenômenos do lembrar e do esquecer.

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Instituições
  • 1 FACED/UFBA
Eixo Temático
  • GPD 18 – Memória, estética e práticas sensíveis: desafios epistemológicos e usos políticos do passado em espaços conectados
Palavras-chave
ensino de história
cultura material
instituições museológicas
material didático