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Esta pesquisa investiga a construção de um circuito de imagens que estruturou uma cultura visual sobre o Paraná entre os marcos temporais de 1900 e 1948. Indaga-se: como tais referências circularam e por quais meios e discursos foram mediados? Além disso, questionase em que medida o Estado, como promotor de narrativas identitárias, logrou propor e agregar imagens capazes de forjar sentidos de pertencimento. Analisar as referências sobre o Paraná nos circuitos artístico, literário e jornalístico implica compreender como as imagens — amparadas nas perspectivas de Burke (2004) e DidiHuberman (2017) — operam em suportes variados (fotografias, pinturas, litogravuras) para construir significados sobre a história local e as memórias regionais. Entende-se que esses fragmentos de memória, fundamentados nas teorias de Nora (1993), Le Goff (1984) e Seixas (2021), quando encarnados em suportes visuais, resultam de processos de seleção, silenciamento e reafirmação de determinados grupos e ideologias. Tais elementos são decalcados em um fluxo de produção, circulação e apropriação de linguagens que respondem a um recorte historiográfico específico. Investigar esses vestígios visuais e textuais permite reorganizar as tensões entre a história nacional e regional, identificando imagens reiterativas que consolidam uma memória coletiva e uma cultura visual singular, intrínseca ao espaço paranaense. Nesse sentido, a mobilização dos conceitos de Pierre Nora permite compreender as imagens selecionadas como autênticos "lugares de memória", que surgem no vácuo de uma memória viva para sustentar uma identidade institucionalizada pelo Estado. Ao investigar o período proposto, percebe-se que a fotografia e a pintura não apenas registraram o Paraná, mas criaram "marcos visuais" que cristalizaram ritos e figuras históricas. Esses suportes funcionam como depósitos de uma memória que, embora fragmentada, é articulada para oferecer uma coesão simbólica diante da modernização acelerada do início do século XX. Sob essa ótica, a análise da cultura visual paranaense revela as disputas pela hegemonia do olhar, onde o "esquecimento" mencionado por Le Goff torna-se tão operante quanto a "lembrança". A pesquisa busca, portanto, desvelar as camadas de invisibilidade presentes nas fontes jornalísticas e artísticas, questionando quais sujeitos e paisagens foram marginalizados na construção dessa "paranaenseidade". Ao final, espera-se que o mapeamento desse circuito visual forneça subsídios para que o ensino de história desconstrua estereótipos, permitindo que os alunos reconheçam a imagem como um campo de forças e um artefato de poder político e social. Os resultados esperados transcendem a análise documental, visando propor práticas sensíveis para o ensino de História. O foco recai sobre a disciplina de História do Paraná na Educação Básica, buscando fomentar um olhar estético e crítico nos estudantes. Dessa forma, a pesquisa pretende contribuir para que a cultura visual elaborada sobre o Estado ao longo do tempo seja compreendida não apenas como ilustração do passado, mas como agente ativo na formação da consciência histórica.
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