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O início da atuação docente, muitas vezes traumático, tem sido afirmado como período estratégico de formação, no qual a mobilização de saberes busca articular inovações pedagógicas em meio a tradições e resistências conservadoras. Dentro desse contexto, a pesquisa “Professores iniciantes e indução profissional: o conhecimento profissional docente em questão” tem por objetivo investigar os processos de constituição do conhecimento profissional docente de professores iniciantes e/ou ingressantes em História que integram a rede publicada educação básica no estado do Rio de Janeiro. Dessa forma, buscamos compreender as trajetórias e os saberes mobilizados por esses professores no fazer curricular mediante os desafios enfrentados em sua trajetória profissional. Professores iniciantes compreendemos como os sujeitos que se encontram em fase de orientação de um sistema normativo das práticas no ambiente escolar de maneiras formais, informais e hierárquicas e pela descoberta da realidade dos alunos (Tardif, 2012). Se trata de um período intenso de aprendizagens e decisivo na constituição da identidade sobre o que é ser professor (Cruz, 2023). Na ocasião desta comunicação, serão apresentados resultados iniciais da pesquisa que se encontra em andamento, em que análises foram realizadas das narrativas docentes produzidas a partir da metodologia de “rodas de conversa” (Ribeiro et al., 2023). Este primeiro momento buscou proporcionar uma escuta atenta, mas fluida com liberdade para expressar compreensões e sentidos atribuídos aos processos vivenciados no cotidiano. Nessas rodas de conversa foram realizadas reflexões sobre a identidade docente, a aula de História, o lugar de trabalho e as perspectivas futuras da profissão. O estudo evidenciou que grande parte desses/as docentes chega à escola com expectativas positivas, mas enfrenta diferentes “choques de realidade” (Veenman, 1984): complexidades da relação com o conhecimento histórico escolar e ao convívio com os/as estudantes e, também, a fatores como a falta de infraestrutura das escolas e a solidão decorrente da privatização da prática docente (Cochran-Smith, 2012). Dentre os diversos “choques de realidade”, alguns relatos expressam o desafio enfrentado pelos professores de uma espécie de “desvio de função”. Ao ser atribuída, após convocação por concurso público, a função de ministrar disciplinas eletivas, projetos temáticos e a atuação em salas de recurso em turmas dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, um incômodo é relatado pelos participantes da pesquisa. Esse sentido pode estar relacionado a uma cultura escolar e disciplinar (Frago, 1998; Chervel, 1990) que estabeleceu tradições nas práticas e normas escolares, como a separação entre os Anos Iniciais dos Anos Finais do Ensino Fundamental. Nesses casos, professores relataram uma desvalorização de seus saberes profissionais ao se perceberem mais como cuidadores/as do que como profissionais da área, evidenciando a complexidade do período de inserção profissional e os limites para a profissionalização docente no Brasil. Condições de trabalho e de acolhimento aos iniciantes criam novos desafios e fatores de desestabilização quando suas expectativas são frustradas. Este descompasso demonstra uma necessidade de maior integração entre as instituições de ensino e as de formação de forma plural e horizontal a fim de proporcionar possibilidades de indução profissional para a inovação curricular.
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