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Em 2024 foram celebrados os 200 anos da presença alemã no Brasil, marcada pela fundação da colônia de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, em 1824. A efeméride motivou uma série de iniciativas culturais, como publicações de obras e realização de eventos, assim como a produção de reportagens jornalísticas enfocando a região sul do país, onde esse fluxo migratório foi mais intenso. Este estudo é parte de uma pesquisa de pós-doutorado em andamento, financiada por bolsa do Programa PIPD/Capes. O objetivo deste recorte investigativo é analisar três narrativas audiovisuais produzidas no contexto do bicentenário da imigração germânica. Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como bibliográfica e documental, de abordagem qualitativa, e apoia-se na análise de fontes audiovisuais na investigação histórica (Napolitano, Freire Júnior) e nos debates teóricos sobre branquitude (Schucman, Cardoso, Bento), colonialidade germânica (Backes, Ströher) e do campo da história pública (Almeida; Rovai, Malerba, Liddington). Entre os resultados aferidos, identificou-se majoritariamente a manifestação de narrativas brancas eurocentradas e marcadas por um enaltecimento do passado em tom laudatório e triunfalista, sem a presença significativa de reflexões críticas sobre o impacto da colonização alemã sobre outros grupos étnicos afetados pela convivência, como negros e indígenas. A reportagem que apresentou maior criticidade foi realizada pela sucursal brasileira do canal alemão Deutsche Welle, indicando que, via de regra, a mídia jornalística adere a discursos provenientes de setores econômicos hegemônicos, abrindo pouco espaço para vieses críticos que a historiografia há tempos publiciza.
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