Reimplementação do Processo de Enfermagem em uma maternidade privada da cidade de Atibaia, São Paulo.
Introdução: O Processo de Enfermagem é uma ferramenta que promove o pensamento crítico de maneira intencional e focado nos resultados. Entretanto, suas etapas podem representar desafios para os enfermeiros, por depender não apenas da disposição de cuidar, mas de habilidades interpessoais e técnicas que garantem a entrega de cuidado individualizado e integral¹. Objetivo: Descrever as principais dificuldades de enfermeiras de uma maternidade privada da cidade de Atibaia com a Sistematização da Assistência de Enfermagem e também as suas respostas às medidas de reimplementação do Processo de Enfermagem. Métodos: Trabalho descritivo e exploratório, realizado com dados observacionais registrados em dois relatórios de gestão da unidade – O de Diagnóstico Assistencial, conduzido por meio da proposta de Donabedian², de 08 de Dezembro de 2016 a 08 de Janeiro de 2017- e o de Resposta da Equipe de Enfermeiros à execução do projeto de reimplementação do Processo de Enfermagem. Apesar da unidade já ter implantada a SAE, julgou-se necessário a sua reimplementação em virtude do conhecimento deficiente e dificuldades das enfermeiras; o projeto iniciou-se com o treinamento das etapas do Processo de Enfermagem, as interrelações entre elas e trabalhando, ao mesmo tempo, ciclos de capacitações em obstetrícia, neonatologia e habilidades de comunicação, essenciais para uma investigação abrangente. Resultados: Apesar da existência de recursos necessários para a execução dos serviços assistenciais, as atividades desenvolvidas pelos enfermeiros não se baseavam em uma conduta uniformizada. As principais dificuldades relacionadas à SAE são: (1)Tempo insuficiente durante o plantão, (2)falta de conhecimento sobre o que é e a importância de cada etapa da SAE, (3)ausência de repertório técnico-científico para investigar e elaborar diagnósticos específicos da especialidade do setor. A SAE, apesar de utilizada cotidianamente, não era considerada como ferramenta para o pensamento crítico; em vez disso, as enfermeiras utilizavam o computador preocupando-se apenas com diagnósticos e prescrições que já estavam definidos no sistema, engessando a capacidade de ir além e pensar medidas sofisticadas de atenção. Com a reimplementação do Processo de Enfermagem, as enfermeiras passaram a compreender a significância do que compõe a sistematização do cuidado; passaram a se interessar e demonstrar mais confiança não apenas para se relacionar com os clientes da maternidade e com a equipe de enfermagem, mas também para discutir casos e situações com outros profissionais e utilizar o sistema como suporte para planejar as suas intervenções. Ganharam conhecimento que lhes permitem aprofundar a investigação, definir diagnósticos e implementar cuidados que superem aqueles que atendem às necessidades clínicas prioritárias, alcançando as necessidades individualizadas de cada gestante/parturiente/puérpera. Conclusão: A implantação da SAE não é garantia de que o Processo de Enfermagem é utilizado adequadamente para a entrega de um cuidado sofisticado. É preciso avaliar a qualidade da atenção em saúde de forma abrangente e formar os profissionais no cenário das habilidades essenciais para o desenvolvimento do Processo de Enfermagem: Comunicação e Pensamento Crítico. Desta forma, com a provisão de conhecimento é possível evitar e corrigir as principais dificuldades no desempenhar das atribuições específicas do enfermeiro.