O USO DA PESQUISA PARTICIPATIVA COMO FERRAMENTA DE IMPLEMENTAÇÃO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM NA SAÚDE MENTAL
Introdução: O cuidado de enfermagem às pessoas que envelheceram nas instituições psiquiátricas é complexo, pois une-se às ações de conhecimento em gerontologia e em saúde mental(1). A problemática desse estudo centra-se no desafio da implantação do processo de enfermagem para pessoas que envelheceram nas instituições psiquiátricas. Objetivos do estudo: Analisar a implantação do processo de enfermagem na saúde mental; Descrever a percepção da equipe de enfermagem e suas necessidades quanto a implantação do processo de enfermagem na saúde mental; Avaliar os registros de enfermagem no prontuários antes e depois da sensibilização e capacitação para implantação do processo de enfermagem na saúde mental. Método: O caminho metodológico escolhido foi a pesquisa convergente assistencial(2) segundo a teoria do relacionamento Interpessoal de Peplau(3). O cenário do estudo foram as dependências de um Instituto Municipal do Rio de Janeiro. Constituíram como participantes 13 enfermeiros atuantes nos núcleos assistenciais. Como técnica de pesquisa utilizou-se a entrevista semiestruturada, observação sistemática, diária de campo e grupos. Ao total foram 9 etapas, gerou-se um relatório de produção de dados. Os dados foram analisados em conteúdo do tipo temática orientada por Bardin(4) e pelo software NVivo versão 11(5), que geraram 11 nós, representados graficamente em nuvem de palavras. O estudo foi aprovado pelo comitê de ética e pesquisa da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, sob o protocolo nº 188/2014. Resultados: Emergiram 3 categorias temáticas. Categoria I – Saberes e práticas dos participantes sobre sistematização da assistência de enfermagem (SAE), processo de enfermagem e sistema de classificações em saúde mental; Categoria II – Pontos de convergência: Processo de enfermagem na prática e na pesquisa; Categoria III – Desafios e o futuro da implementação do processo de enfermagem na saúde mental. Durante os encontros grupais, abordou-se a necessidade de repensar o instrumento de documentação do processo de enfermagem, para centralização do usuário como protagonista, que atenda os princípios da reforma psiquiátrica, articulando-se ao atendimento das fases do processo e uso das classificações, sem padronizações encarceradas. Observou uma predominância nos registros em prontuários realizados pelos técnicos de enfermagem no início do estudo. Contudo, ocorreu um aumento significativo dos registros de enfermeiros quando comparados os meses de agosto/2015 e agosto/2016 (p= 0,046), segundo teste Wilcoxon, corroborando a importância de uma assistência sistematizada. Conclusão: A realização dessa pesquisa contribuiu para preencher uma lacuna existente na assistência de enfermagem em saúde mental e pode servir, para outros enfermeiros e cenários, como consulta na iniciação da construção e implementação do processo de enfermagem. Ressalta-se que os enfermeiros, mesmo diante de fatores que interferem negativamente na implantação do processo de enfermagem, usam a criatividade e o empenho na elaboração de execução das ações, mantendo condições favoráveis para o cuidado de enfermagem. O desenvolvimento da SAE foi considerado um desafio, diante das complexas realidades das instituições de saúde, especialmente em saúde mental. A implantação do método garantiu a verticalização do diálogo, além de atuar como facilitador na promoção da assistência requerida em um objeto complexo, como a implantação do processo de enfermagem na saúde mental.