Gerenciamento de risco de suicídio. Relato de experiência do processo em um hospital psiquiátrico.
O suicídio é um assunto que vem sendo discutido nos fóruns nacionais e internacionais de saúde como um problema de saúde publica. Os indicadores de saúde apontam um grave número de mortes devido a este ato advindo em grande parte de causas tratáveis e possíveis de prevenção (1). Segundo estudo publicado pela OMS em 2014 (2) somente no ano de 2012 foi computado 803900 mortes por suicídio no mundo, sendo que o Brasil neste mesmo período foi o oitavo país em número de suicídios, sendo registradas 11.821 mortes. Neste mesmo período do ano de 2012, ocorreram em um hospital psiquiátrico casos de suicídio, alavancando a necessidade de revermos nossos métodos de cuidados e gerenciamento de risco, iniciando o grupo de estudos que desenvolveu um protocolo gerencial e de cuidados para o risco de suicídio. A pretensão deste grupo é evitar novos casos e proporcionar melhoria das práticas clínicas. Este trabalho como objetivo relatar a experiência vivenciada durante o processo de implantação realizado no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, tratando-se de um projeto de pesquisa para introdução de protocolos assistenciais. Os grupos de estudos eram formados por enfermeiros, utilizando-se de metodologia de pesquisa baseadas em evidencia, com encontros semanais para as sínteses das revisões bibliográficas e utilizando-se de um modelo em metodologias ativas para discussão e execução dos instrumentos. Como resultado do processo implementamos instrumentos para avaliação das praticas clinicas e controle do processo através de um protocolo que conta com uso de indicadores para gerenciamento do risco de suicídio, fichas de notificação de eventos adversos, sistematização da classificação e identificação do risco para toda equipe multidisciplinar com marcadores em pranchetas, indicação dos riscos nas prescrições de enfermagem e médicas, plano assistencial de enfermagem visando a diminuição do risco e plano de contingencia em casos de tentativas. Ao longo deste período não houve casos de suicídio. Desde 2014 conseguimos visualizar através das fichas de notificação o número de tentativas ocorridas que somaram um total de 49 no período de fevereiro de 2014 a dezembro de 2016 estas ocorrências são analisadas por unidade, horários, locais, métodos utilizados e se houveram falhas nas barreiras, garantindo a continuidade de avaliação do processo, gerando desta forma novas estratégias e discussões para evitar tentativas. Concluímos que é essencial para as equipes da área de saúde, buscar o desenvolvimento de estratégias visando um olhar preventivo quanto ao risco de suicídio. Sabemos que muitos serviços como, por exemplo, os serviços de emergência atendem clientes com risco de suicídio que podem vir a realizar tentativas durante ou após o tratamento.