FREQUÊNCIA DE DIAGNÓSTICOS, RESULTADOS, INTERVENÇÕES E ATIVIDADES DE ENFERMAGEM EM PRONTO SOCORRO INFANTIL.
Introdução: As classificações de enfermagem são ferramentas que permitem ao enfermeiro elaborar teoricamente sua prática clínica e padronizar o uso da linguagem1. Com a finalidade de aprimorar a documentação da assistência de enfermagem, a acurácia diagnóstica e o alcance dos resultados obtidos junto à criança e sua família, foi implantado no Pronto Socorro Infantil do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP) um Sistema Eletrônico de Documentação de Enfermagem baseado na Taxonomia da Nanda2 e na estrutura das ligações NANDA-NOC-NIC3 denominado Procenf®. Considerando, que a análise das informações documentadas podem contribuir para o aprimoramento do raciocínio clínico e a tomada de decisão visando a recuperação e o bem estar da criança, surgiu a motivação para realização deste estudo. Objetivo: Identificar a frequência dos Diagnósticos, Resultados, Intervenções e Atividades de Enfermagem dos pacientes do Pronto socorro infantil (PSI). Método: Estudo descritivo exploratório mediante análise retrospectiva de diagnósticos, resultados, intervenções e atividades de enfermagem na admissão dos pacientes do PSI do HU-USP. Os dados coletados correspondem ao período de 01/03/2016 à 01/03/2017 e foram extraídos da base de dados do Procenf® por meio de um software gerador de relatórios, submetidos a análises e cálculos. Resultados: Foram identificados 6123 Diagnósticos de Enfermagem; 6000 Resultados; 5817 Intervenções de Enfermagem e 7814 Atividades de Enfermagem; referentes a 4062 admissões de pacientes pediátricos. A maioria dos diagnósticos foram: Hipertermia (23,8%), Desobstrução Ineficaz de Vias Aéreas (17%), Padrão Respiratório Ineficaz (16%), Dor Aguda (15,7%), Troca de Gases Prejudicada (7,9%) e Integridade Tissular Prejudicada (5,1%). Os resultados de enfermagem mais frequentes correspondem a: Estado Respiratório: permeabilidade das Vias Aéreas (25,1%), Termorregulação (24,5%), Controle da Dor (10,5%), Integridade Tissular: Pele e Mucosas (9,5%) e Estado Respiratório: Troca Gasosa (8,1%). As intervenções de enfermagem mais frequentes foram: Monitoração Respiratória (29,7%), Monitoração de Sinais Vitais (21,6%), Controle da Dor (16,5%), Supervisão da Pele (6,3%), Controle de Vias Aéreas (6,2%) e Tratamento da Febre (4,9%). As Atividades de Enfermagem mais indicadas pelas enfermeiras incluíram: Monitorar a frequência, o ritmo, a profundidade e o esforço das respirações (23,8%), Manter decúbito elevado à... (17,9%), Instilar soro nasal (10,2%), Realizar avaliação abrangente da dor, que inclua o local, as características, o início/ a duração, a frequência, a qualidade, a intensidade ou a gravidade da dor e os fatores precipitantes (9,3%), Observar características da tosse (8,3%), Monitorar sinais e sintomas de hipertermia (8,3%) e Observar queda de saturação (7%). Conclusão: O estudo identificou a frequência dos diagnósticos, intervenções e resultados de enfermagem no PSI que correspondem aos agravos de saúde mais comuns no atendimento de urgência e emergência pediátrica. O uso da documentação eletrônica otimizou o resgate dos dados, possibilitando avanços no sistema de informação, documentação e principalmente na gestão do cuidado. Com o reconhecimento das intervenções e as atividades de enfermagem correspondentes mais frequentes, foi possível identificar as demandas assistenciais dos pacientes, fornecendo informações para a tomada decisões sobre capacitação dos profissionais, dimensionamento dos recursos humanos de enfermagem e previsão de materiais, contribuindo assim, para o aprimoramento da qualidade assistencial pediátrica.