FATORES DE RISCO EXTRÍNSECOS RELACIONADOS AO DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM DE RISCO DE QUEDA EM IDOSOS
Introdução: Com o decorrer dos anos observou-se um progressivo aumento de doenças crônicas não transmissíveis, relacionadas com o processo de envelhecimento, doenças por vezes incapacitantes, integradas as modificações fisiológicas do próprio envelhecimento humano, aumentam o risco de quedas em idosos1,2. A queda é um evento de etiologia multifatorial, envolve condições extrínsecas relacionadas ao ambiente em que os idosos estão inseridos, e intrínsecas relativos ao processo de envelhecimento3. Nesse processo podem ocorrem perdas funcionais que dificultam a resposta motora do indivíduo para manutenção da postura e equilíbrio1, podendo aumentar o risco de quedas quando associados aos fatores de risco do ambiente, justificando o presente estudo. Objetivo: identificar os fatores de risco extrínsecos presentes nos idosos da comunidade com diagnóstico de enfermagem risco de queda. Método: estudo descritivo, de corte transversal e abordagem quantitativa desenvolvido durante o período de junho a setembro de 2016 em um município da região nordeste do Brasil envolvendo 221 idosos residentes na comunidade com utilização de instrumentos estruturados. Realizou-se uma análise exploratória, as variáveis contínuas foram descritas com as medidas de tendência centrais (média e mediana) e de dispersão (desvio padrão), e às variáveis categóricas, frequências absolutas e percentuais., utilizando o programa estatístico SPSS versão 20.0 para processamento dos dados. Estudo aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa, protocolo nº 0660/15 e CAAE:51441815.1.0000.5188. Resultados: Em relação ao perfil dos participantes, observa-se 167 (75,6%) idosos com faixa etária entre 60 a 79 anos, 156 (70,6%) do sexo feminino; 97 (43,9%) casados, 204 (92,3%) morando acompanhados, 1 a 4 anos de escolaridade com 75 (33,9%), 101 (45,7%) com renda individual mensal de até 1 salário mínimo proveniente da aposentadoria com 133 (60,2%) idosos. Entre os fatores de risco extrínsecos presentes no domicilio dos idosos, identificou-se em maior incidência a presença de degraus em 199 (90%) dos idosos, seguido por superfícies irregulares em 159 (71,9%), desníveis no chão em 142 (64,3%), uso de tapetes pequenos ou grandes em 123 (55,7%) casa, e em menor proporção, menos que 50% de incidência, evidenciou-se mobiliário em excesso em 49 (22,2%), superfícies molhadas em 43 (19,5%) e pouca iluminação referida por 26 (11,8%) idosos. Um fator de proteção às quedas observado foi o uso de barras de segurança, porém apenas 50 (22,6%) fazem uso das barras no banheiro, e somente 28 (12,7%) idosos as usam nos outros cômodos da casa. Conclusões: Diante dos riscos existentes no ambiente de convívio dos idosos é necessário um planejamento de ações para atuar na melhoria ou eliminação desses fatores de risco. O diagnóstico de enfermagem de risco de queda traz consigo a possibilidade de evitar o episódio propriamente dito que pode ser impedido com medidas de prevenção. Dessa forma é necessário que os enfermeiros junto com a equipe multiprofissional de saúde atuem na educação em saúde dos idosos e familiares informando sobre as quedas, fatores de risco intrínsecos e extrínsecos, consequências e as medidas preventivas adequadas que podem ser praticadas nos cuidados básicos do dia-a-dia. Sugere-se a realização de estudos que possam atuar diante das necessidades encontradas.