DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM IMPLEMENTADOS PARA PACIENTES ADMITIDOS EM UNIDADE DE EMERGÊNCIA COM INSUFICIÊNCIA CARDÍACA DESCOMPENSADA
Introdução: Na avaliação do paciente com insuficiência cardíaca (IC) descompensada, um dos objetivos é interpretar sinais e sintomas decorrentes do processo fisiopatológico e verificar que aspectos do regime terapêutico estão comprometidos pela síndrome(1,2). A implementação dos diagnósticos de enfermagem (DE) da NANDA-I(3) torna-se um caminho para conhecer as respostas e necessidades desses pacientes e desenvolver intervenções de enfermagem apropriadas. No contexto de DE para pacientes com IC descompensada, os principais são Volume de líquidos excessivo e Débito cardíaco diminuído(1,4). Esse estudo pode produzir evidências sobre o processo de julgamento clínico dos enfermeiros e fornecer subsídios para o planejamento de medidas que minimizem complicações e promovam a elucidação diagnóstica. Objetivo: Identificar os DE implementados por enfermeiros de unidade de emergência para pacientes admitidos com IC descompensada. Método: Estudo transversal descritivo com abordagem quantitativa, realizado em unidade de emergência de um hospital universitário do Sul do Brasil, no período de setembro de 2015 a setembro de 2016. Foram incluídos pacientes adultos com o diagnóstico de IC, com função sistólica reduzida ou preservada, admitidos em unidade de emergência por descompensação aguda. Para a coleta de dados foi desenvolvido um instrumento contendo dados sociodemográficos e clínicos, buscados em prontuário eletrônico, bem como informações relacionadas aos DE implementados pelos enfermeiros. As variáveis contínuas foram analisadas por média e desvio padrão ou mediana e intervalo interquartil, as variáveis categóricas foram analisadas por frequências e percentuais. O projeto foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da instituição sob a numeração 15-0362. Resultados: Foram incluídos 50 pacientes, 26(52%) do sexo masculino, idade média de 69±12 anos e fração de ejeção média igual a 48±16%. A etiologia mais prevalente da IC foi a hipertensiva (42%), seguida da isquêmica (38%). As comorbidades dominantes foram hipertensão arterial sistêmica (80%), fibrilação atrial (54%) e diabetes mellitus (38%). Foi identificado um total de 14 DE, sendo que em 60% dos pacientes foram implementados dois diagnósticos de enfermagem e em 40% um. Os DE mais prevalentes foram: Padrão respiratório ineficaz (48%), Risco de quedas (26%), Volume de líquidos excessivo (12%), Risco de função cardiovascular prejudicada (10%), Perfusão tissular periférica ineficaz (10%) e Débito cardíaco diminuído (10%). Ainda, os DE implementados estão distribuídos em cinco Domínios da classificação, sendo a maior prevalência no Domínio 4. Atividade/Repouso (28,6%), seguido dos Domínios 2. Nutrição e 11. Segurança/Proteção, ambos com frequência de 21,4%. Conclusões: Os resultados desse estudo evidenciam que os enfermeiros implementaram 14 DE para pacientes admitidos com IC descompensada, distribuídos em cinco Domínios. O DE mais prevalente foi Padrão respiratório ineficaz, o que pode demonstrar uma dificuldade dos enfermeiros em diferenciar características definidoras de condições pulmonares e cardíacas. Por outro lado, o DE Risco de Quedas pode indicar a preocupação dos enfermeiros em relação à segurança do paciente. Conclui-se que a identificação dos DE implementados pode colaborar com o aprimoramento da assistência de enfermagem, considerando que, quando acurados, os DE permitem direcionar metas e intervenções de enfermagem adequadas para pacientes com IC descompensada.